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Crítica: Wrong Turn (2021)

Wrong Turn Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WRONG TURN!

O franchise de Wrong Turn não é já desconhecido do público em geral, muito menos para o seu criador que, ainda hoje, continua a lutar pelo mesmo. Em 2003, a primeira versão do filme centrava-se num grupo de pessoas aleatórias que ficam aprisionadas num bosque, sendo caçadas por habitantes canibais deformados, cuja floresta é a sua casa. Agora, em 2021, Alan B. McElroy inova o conceito e traz-nos uma nova versão de Wrong Turn onde um grupo de jovens faz uma caminhada por montanhas remotas e que tropeça nas armadilhas de uma comunidade medieval que vive no meio selvagem e criou as suas próprias leis.

Wrong Turn Critica de Cinema

Wrong Turn (o de 2003) foi sempre um dos muitos guilty pleasures que tenho guardados na minha memória. É um filme singelo, despreocupado com atitudes pouco inteligentes das personagens, e que tenta utilizar o mote da sobrevivência para expressar os horrores que vão sendo infligidos nos “heróis” da película. Este reboot de Wrong Turn torna o conceito ainda mais cativante, ao não ceder aos caprichos fáceis dos filmes de terror convencionais, e procurando explorar de forma mais credível estes “vilões” que vivem isolados da sociedade, dita, moderna. O filme absorve uma identidade muito própria e cria uns twists interessantes que nos provocam alguns sustos e nos fazem querer saber mais sobre a sua temática. Apesar de nem tudo ser perfeito, já que as personagens principais servem meramente de ornamento para o show off visual das mortes no filme, Wrong Turn acaba por ir ligeiramente mais além do que o seu franchise anterior por dar um destaque mais inteligente (e menos desmiolado, por conseguinte) daquilo que os protagonistas devem temer.

A realização de Mike P. Nelson é ritmada, utilizando planos interessantes nas perseguições pela floresta, um design próprio que as une a um período histórico, onde o ser humano necessita de adotar comportamentos mais selvagens para assumir as suas conquistas e garantir a sua sobrevivência. Aproximando-se muito de uma mistura de The Village e Vikings, esta comunidade do novo Wrong Turn é governada por um temível líder, que utiliza a pena de morte como justiça para os crimes que são feitos dentro do seio dos seus súbditos. Interpretado por Bill Sage, este líder acaba por nos fazer estremecer surpreendentemente (tirando o seu penteado extremamente moderno que quebra com a seriedade com que levamos, muitas vezes, estas personagens inspiradas em civilizações históricas selvagens), transmitindo ao espectador uma sensação forte de que é impossível escapar das suas garras.

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Mas, claro, mesmo que este conceito seja inovador para um franchise condenado, há muitas arestas que ficaram por explorar (e eram obrigatórias) para dar espaço à ação que é tão já cliché deste género de filme. Obviamente que acaba por assentar bem, para criar um momento de tensão competente, mas remove uma oportunidade importante de explorar o seu maior trunfo: a mudança de vilões e de entendermos ainda melhor o seu estilo de vida. Mesmo não sendo uma preciosidade e ser algo desnivelado na exposição da sua premissa, Wrong Turn acaba por conquistar por criar sequências de tensão repentinas e intensas e deixando o espectador curioso para explorar a mitologia onde está inserido. Ainda assim, é importante não se ficar pela superficialidade das personagens principais que acabam por assentar nos clichés mais cansativos do género do terror, e, acima de tudo, saber estabelecer as prioridades entre worldbuilding essencial e ação recorrente. É impossível ter-se os dois num filme inicial da saga, mas ainda assim Wrong Turn consegue habilmente nivelá-los ligeiramente para proporcionar ao público um serão de entretenimento aprazível.

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Título: Escolha Perigosa

Título Original: Wrong Turn

Realização: Mike P. Nelson

Elenco: Matthew Modine, Emma Dumont, Charlotte Vega, Daisy Head, Bill Sage, Valerie Jane Parker, Adain Bradley, Tim DeZarn, Dylan McTee, Damien Maffei.

Duração: 110 min.

Trailer | Wrong Turn

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