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Crítica: Judas and the Black Messiah (2021)

Judas and the Black Messiah Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE JUDAS AND THE BLACK MESSIAH!

Um dos nomes mais aguardados deste início de ano era precisamente Judas and the Black Messiah, um dos concorrentes mais tardios desta altura fogosa de candidaturas aos prémios mais cobiçados do cinema. E, felizmente, tornou-se indiscutivelmente um dos meus favoritos da corrida. O filme acompanha William O’Neal, um jovem que é forçado e coagido pelo FBI a infiltrar-se na sede dos Panteras Negras da cidade de Illinois, de forma a aproximar-se e do seu presidente Fred Hampton. As intenções do FBI não são propriamente claras, mas a ameaça crescente dos Panteras Negras está a criar distúrbios políticos e com a polícia. J. Edgar Hoover, o manda-chuva do FBI, lança uma caça secreta aos membros da organização, dita, criminosa, e William acaba por ter de tomar uma postura delicada face ao que lhe é pedido.

Judas and the Black Messiah Critica de Cinema

Judas and the Black Messiah é uma surpresa extremamente acutilante, onde as personagens (e o trabalho de atores claro) são fulcrais para prender a atenção do espectador. O filme acaba por ter uma realização e um argumento trabalhados em sintonia, onde a câmara de Shaka King tira proveito dos rostos e das performances magnéticas dos seus atores, conciliando com alguns momentos de tensão desconcertantes, para além de uma sensibilidade fora do vulgar que nos força a temer a conduta das forças policiais e do FBI. A verdade é que numa altura onde o racismo continua, infelizmente, a manifestar-se de uma forma preocupante e, em especial, proveniente das forças policiais, Judas and the Black Messiah é o filme que mostra o quão importante é elucidarmo-nos sobre estes rostos que lutaram contra a opressão, contra a discriminação e contra a violência que é uma constante na comunidade afro-americana. Fred Hampton, encarnado por um extraordinário Daniel Kaluuya, é um ícone que simboliza uma atitude progressiva e cujo temperamento suscita medo por parte do controlo policial e político. É uma ameaça nítida para quem teme a revolução.

Em termos fílmicos, Shaka King consegue conquistar pela utilização de planos hábeis e diversificados para contar a sua história, tendo a acompanhar a sua mestria um elenco absolutamente poderoso, onde, ao lado de Kaluuya, temos LaKeith Stanfield que é um protagonista soberbo e que merece tanto ou mais mérito que o seu colega. O carisma de Judas and the Black Messiah não era possível sem estes dois atores que estão na flor da sua carreira e não têm receio de selecionar papéis exigentes para se tornarem versáteis e respeitáveis, melhorando cada vez mais a sua entrega aos mesmos. A banda-sonora, palpitante e quase sempre bem adequada aos momentos, torna as sequências ainda mais envolventes, sejam elas de intensidade dramática elevada, de ação imprevisível ou de receios que transparecem nos rostos das personagens. É uma mistura maravilhosa de componentes de cinema que funcionam organicamente sem parecerem aborrecidas ou de cair em exageros melodramáticos. É nítida a força das palavras, é incontrolável a envolvência com os intervenientes e, a cereja no topo do bolo, as emoções que são transpostas com uma naturalidade fabulosa.

Judas and the Black Messiah Critica de Cinema

Ainda que acrescentasse mais alguma coisinha aqui ou acolá, Judas and the Black Messiah é indiscutivelmente um filme poderoso, com tudo aquilo que precisamos para nos sentirmos envolvidos com a arte do cinema, para além de incluir uma mensagem complexa e dura, utilizando os seus atores como uma voz impossível de ser silenciada. Apontem o nome Shaka King que este será um que irá criar burburinho nos próximos anos, para além de que Kaluuya e Stanfield estão no auge do seu talento e as suas performances jamais devem ou poderão ser ignoradas. Sendo assim, Judas and the Black Messiah é já um dos meus prediletos desta altura frenética de prémios e um que irei guardar na minha memória como uma das obras mais talentosas em aliar elementos cinematográficos com emoções cruas.

Os paralelismos bíblicos que assentam no seu título são tão geniais que conferem uma imagem muito própria ao filme, fazendo-nos seguir o papel do traidor Judas e culminando com a busca por justiça e igualdade de um Jesus que está alheio do seu destino. Há muito de divino, de facto, nesta obra. Especialmente porque é feita com cabeça e com alma em sintonia e não há preço que se coloque a este tipo de cinema… é simplesmente obrigatório!

Judas and the Black Messiah Critica de Cinema

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Título: Judas e o Messias Negro

Título Original: Judas and the Black Messiah

Realização: Shaka King

Elenco: Daniel Kaluuya, LaKeith Stanfield, Jesse Plemons, Dominique Fishback, Ashton Sanders, Algee Smith, Darrell Britt-Gibson, Lil Rel Howery, Martin Sheen.

Duração: 126 min.

Trailer | Judas and the Black Messiah

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