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Cidade Invisível – Season Finale – 1ª Temporada

Cidade Invisivel Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE CIDADE INVISÍVEL!

Logo nos primeiros episódios, Cidade Invisível apresenta uma das suas cenas mais marcantes: uma borboleta voa por um corredor escuro e, ao atingir uma posição em que vemos círculos claros nas suas asas, ela transforma-se numa mulher, com os olhos na mesma posição em que os círculos estavam.

A cena resume bem o tom fantástico da série e é difícil lembrar de outras produções brasileiras semelhantes, apesar de ter uma premissa que não parece estranha. Após perder a mulher, o detetive Eric (Marco Pigossi) investiga misteriosas mortes em uma cidade habitada por criaturas fantásticas.

A série é assinada por Carlos Saldanha (Rio, Ferdinand) e acerta ao misturar elementos do folclore brasileiro com uma narrativa de suspense comum às produções da Netflix, com episódios que não chegam a 40 minutos e sempre terminam com um cliffhanger que incentiva o bingewatching.

Cidade Invisivel Season Finale

O MELHOR:

Aproveitar o folclore brasileiro numa produção que poderia ter tudo para ser um retrato de uma série tipicamente americana (com muitos efeitos especiais e reviravoltas grandiosas), é o que marca a sua diferença. Trazendo uma identidade completamente brasileira, recuperando os seres fantásticos que costumávamos assistir apenas nas histórias viradas para o público infantil. No começo de alguns episódios, inclusive, acompanhamos a origem de cada uma das lendas, o que ajuda a levar esse recorte da cultura do Brasil de forma explicada para outros países.

Os efeitos especiais, aliás, são uns dos grandes destaques da série. Por muito tempo, no Brasil, os efeitos especiais foram criticados e viravam motivo de piada mesmo quando se notava um aperfeiçoamento neles. Em Cidade Invisível, os efeitos funcionam muito bem, sendo usados de forma subtil quando necessário, casando com o ar de mistério carregado pela obra (principalmente nas aparições de criaturas) com destaque positivo para a Cuca (Alessandra Negrini) e o Curupira (Fábio Lago).

A mistura dos elementos com a vida contemporânea no Rio de Janeiro também é um acerto. Parece verossímil imaginar aquelas criaturas vivendo como pessoas no bairro da Lapa e isso é naturalizado na série sem causar estranheza. As adaptações das lendas para que elas estejam entre humanos nos dias de hoje, mesmo quando grandes, combinam com a proposta da série.

Cidade Invisivel Season Finale

O PIOR:

O principal problema é no desenvolvimento do argumento, que tem propostas mais interessantes do que o seu desenvolvimento e as suas resoluções. Apesar de ser explicada posteriormente, a falta de estranhamento de alguns personagens ao lidar com seres fantásticos parece exagerada e todos agem de forma muito tranquila, mesmo com a forte crença nesses seres.

A reviravolta que une os dois episódios finais da temporada é colocada de forma surpreendente, mas pouco original. A impressão é de que a boa premissa se perde na má utilização de clichês de histórias semelhantes, incluindo uma transferência de um “espírito maligno” de um corpo para o outro.

As cenas finais da temporada funcionam bem, resolvendo alguns mistérios e levantando outros para caso haja uma renovação, ao mesmo tempo que caso ela não aconteça, tenhamos um desfecho aceitável. Mas essa forma batida de lidar com os clichês atrapalha um pouco, deixando a desejar que os minutos finais da curta série (apenas sete episódios) passem rápido, em contraponto à curiosidade que os primeiros episódios despertavam.

Cidade Invisivel Season Finale

Estado da série: STAND-BY

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Cidade Invisível acerta ao misturar elementos fantásticos do Brasil com uma narrativa de suspense comum às produções da Netflix, aproveitando o folclore brasileiro para trazer uma identidade única.

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