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Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel – Season Finale – 1ª Temporada

Crime Scene Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE CRIME SCENE: THE VANISHING AT THE CECIL HOTEL!

Joe Berlinger é um nome conhecido dos amantes de true crime. Acompanho o seu trabalho desde os meus tenros anos na universidade: desde a sua trilogia fabulosa de Paradise Lost, passando pelo triste caso de My Brother’s Keeper, até aos seus mais recentes exercícios televisivos. Quem sabe terei a oportunidade de o entrevistar no próximo SXSW quando lançar o seu próximo exercício televisivo Confronting a Serial Killer. Ao fazer uma retrospetiva sobre o seu trabalho até hoje, este é um realizador que procurou sempre manter-se atual neste género tão cativante que é o true crime e que nos coloca frente a frente com algumas das histórias mais bizarras, mais assustadoras, mais duvidosas e mais revoltantes que a nossa espécie é capaz de contar. No seu novo exercício em parceria com a Netflix, após o lançamento de Conversations with a Killer: The Ted Bundy Tapes, Berlinger traz-nos um dos casos mais enigmáticos destes tempos modernos, onde uma brilhante aluna canadense viaja até Los Angeles, no estado da Califórnia, desaparece no Hotel Cecil, que tem uma história, em si, extremamente violenta e envolta em mistério. A última pista que se tem desta jovem é uma filmagem de uma câmara de vigilância num dos elevadores do hotel, onde Elisa Lam é vista a ter um comportamento bizarro e cuja explicação está longe de ser linear.

Crime Scene Season Finale

O MELHOR:

Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel é uma viagem de quatro episódios que é rica nalguns elementos interessantes de true crime, ainda que peque por se deixar levar demasiado por personagens secundárias que, em vez de acrescentarem algo de novo, acabam por interferir ao deturparem a visão do espectador com as suas teorias da conspiração pouco substanciais. Mas já lá vamos.

Berlinger acaba por conseguir articular imagens interessantes, explorando a vítima do acontecimento com afinco e fazer com que o público crie imediatamente uma empatia com a mesma; para além de tentar traçar uma cronologia da passagem da jovem por uma Los Angeles polarizada, onde turistas e sem-abrigos coabitam lado a lado, levando a que sintamos aquela necessidade de nós próprios desvendarmos o caso. Outra questão apetecível e maravilhosa (que dá uma marca distintiva a Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel) é precisamente o pano de fundo onde isto acontece: o infame Hotel Cecil. São muitas as histórias que circundam este misterioso e mal afamado hotel, onde serial killers dormitavam nos seus quartos, pessoas eram assassinadas, ou suicidavam-se, ou morriam de overdoses constantes, e que serviu de inspiração para uma das temporadas de American Horror Story. Este cenário age como uma personagem só por si extremamente relevante e que agarra facilmente o espectador a estar ainda mais investido na história e no caso. Ignorar estes fenómenos tornaria Crime Scene num produto mais banal e sem uma análise profunda da situação.

Para além disso, Berlinger consegue articular bem os momentos de entrevistas com as imagens recreativas que espelham os intervenientes da altura nesta mirabolante história. Nada escapa ao seu olho, mas o maior problema é o fascínio pela insistência dos web sleuths, ou detetives cibernéticos, que começam a invadir os episódios e a interferir com a nossa capacidade de nós próprios tecermos a nossa opinião enquanto espetadores.

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O PIOR:

Crime Scene perde demasiado tempo com teorias da conspiração e podia ser reduzido para algo mais direto e concreto.

A verdade é que a série acaba por perder fogo e mística no público porque Berlinger dá demasiado destaque, como mencionado anteriormente, a estes detetives online que desenvolvem um fascínio pelo caso e começam a disparar ideias e mensagens erróneas que começam a baralhar o espectador que, por muito que se sinta entretido, começa a esquecer-se do objetivo mais importante. Ao contrário de Don’t F**k with Cats: Hunting an Internet Killer, Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel não consegue trabalhar bem este cenário por incluir “protagonistas” que contribuíram para mais confusão do que na obtenção de resultados práticos. Mas Berlinger utiliza-os, no fim, com uma mensagem importante: estes detetives online podem ser úteis em determinados aspetos para ajudar as autoridades a solucionar alguns casos, mas noutros podem significar uma verdadeira dor-de-cabeça e de arruinarem com a vida de uma pessoa da qual não têm qualquer noção e que começam a teorizar maneiras de a ligar a crimes sem provas suficientes.

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Episode 1 of Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel. c. Courtesy of Netflix © 2021

A vida de Elisa Lam estava longe de ser fácil, e a prova disso é o episódio final de Crime Scene que nos elucida verdadeiramente sobre a questão principal do seu desaparecimento e do resultado que a levou, infelizmente, à morte. É uma história triste, repleta de mistérios pouco credíveis, mas que no fundo é totalmente plausível e trágica. Infelizmente, Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel é uma obra algo desnivelada do seu foco e dá demasiada atenção a intervenientes que, honestamente, não deviam ser incluídos. São-no primariamente para aumentar o tamanho dos episódios, mas estorvam mais do que ajudam a enriquecer a temática. Ainda assim, não deixa de ter algum carisma e de explorar o hotel Cecil que é, definitivamente, um local que podia ser ainda mais explorado com tanto histórico macabro que tem em si.

Por vezes o sensacionalismo não significa que um produto de televisão consiga ser o mais elucidativo possível. Crime Scene acaba por sucumbir às suas ambições e empanturra-se de informações pouco ligadas ao caso em si e prefere explorar as pessoas que dramatizaram o caso com base em visões pessoais mais do que com os factos de quem está a investigar o mesmo. Portanto, por muito entertaining que seja, Crime Scene devia reduzir as especulações e não se desviar do seu foco principal. A Netflix anunciou que está será uma série antológica de true crime que irá focar-se noutros casos bizarros como o de Elisa Lam e, embora a sua estreia tenha ficado aquém das espectativas, não significa que outras não conseguirão ser melhores e aprender com os seus erros.

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Episode 3 of Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel. c. Courtesy of Netflix © 2021

Estado da Série: STAND-BY

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Average Rating

Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel é uma série curtinha que se foca numa história interessante e de mediatismo mundial, mas prefere prender-se mais a teorias da conspiração do que ir direto aos pontos mais fortes do caso que aborda.

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