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Firefly Lane – Season Finale – 1ª Temporada

Firefly Lane Season Finale

CONTÉM SPOILERS DE FIREFLY LANE!

Uma das séries sensação do momento chegou à Netflix e conta com duas veteranas televisivas, Katherine Heigl e Sarah Chalke. As atrizes de Grey’s Anatomy e Scrubs estão de volta para uma história de amizade que quebra as linhas do tempo. Tully e Kate conhecem-se no secundário e são vizinhas; enquanto uma vive num seio familiar completo, já a outra tem uma mãe negligente e viciada em drogas. Somos levados por três etapas distintas das suas vidas e das influências que tiveram durante o seu crescimento, para além dos amores, objetivos profissionais e das desgraças que complementaram as suas personalidades. Kate é reservada, e acanhada, dedicada e apaixona-se facilmente e Tully é um furacão, desavergonhada, de amores fortuitos, e de temperamento desinibido. São duas melhores amigas que se completam, ainda que sejam totalmente distintas uma da outra.

Firefly Lane Season Finale

O MELHOR:

As protagonistas de Firefly Lane são aquilo que eleva a série indiscutivelmente.

A química entre Heigl e Chalke é notória e as suas versões adolescentes também acabam por nos conquistar. Ainda que não seja propriamente uma série muito elaborada nalgumas questões, consegue sempre arrancar-nos um sorriso ou uma lágrima pela forma como conjuga os elementos melodramáticos da sua temática. As duas veteranas são dedicadas às suas especificidades e retratos, tornando os eventos que vão acontecendo mais vívidos e envolventes. Apesar de nada ser totalmente surpreendente em Firefly Lane, é daquelas séries que nos fazem sentir entretidos durante um fim-de-semana sem nada de muito criativo para ver. Alguns temas musicais são bem aplicados, recuperando uma nostalgia dos tempos onde as diferentes linhas temporais assentam, especialmente no caso dos anos 80.

As vidas de Tully e Kate interligam-se em várias vertentes e há um episódio em particular e recomendo a quem ainda não viu a série a saltar o parágrafo para não apanhar com SPOILERS. Tully é uma personagem mais trabalhada que Kate, sendo o protagonismo de Heigl essencial nas diversas mensagens sociais que a série inclui em si e as coloca inteiramente sobre os ombros da atriz. Num episódio, Tully tem um aborto espontâneo e a maneira como Firefly Lane trabalha esta questão é especialmente gratificante, ainda que não consiga ser suficiente para salvar a série noutros prismas de igual relevância. Ainda assim, há que reconhecer o seu mérito devido na forma como subtilmente trouxe esta questão à superfície e a tratou de forma humana, sentida e carismática.

Firefly Lane Season Finale
FIREFLY LANE (L to R) KATHERINE HEIGL as TULLY and SARAH CHALKE as KATE in episode 103 of FIREFLY LANE. Cr. COURTESY OF NETFLIX © 2020

O PIOR:

Infelizmente, todo o resto de Firefly Lane é praticamente dispensável.

A série assenta num formato de novela de TVI ou da Globo, carregada de melodramas exagerados e já vulgares, caindo frequentemente em triângulos amorosos desnecessários e forçando as personagens a criarem rixas entre si quando deviam já ter idade para superarem estas questões. Para além disso, Firefly Lane acaba por ser muito pobre em credibilidade performativa, especialmente por não contratar atrizes diferentes para compensar as linhas temporais que compõem a sua história. Um exemplo prático é a recusa em substituir os atores nalgumas sequências, provocando uma queda de qualidade e aproximando-se mesmo daquele estilo de novela mais rasco e para evitar gastos que seriam necessários para o envolvimento do espectador. Um exemplo muito prático disto é colocar Heigl e Chalke a interpretarem as suas versões universitárias que, honestamente, remove a seriedade com que a série quer ser tratada. Para além da mãe de Tully, interpretada por Beau Garrett, sofrer uma transformação básica de maquilhagem dos anos 80 até aos anos 2000s que simplesmente não é credível.

E estes são apenas alguns dos pontos onde Firefly Lane peca, porque o pior é mesmo os namoros e “desnamoros” que se tornam extremamente cansativos a certo ponto e que comprometem a evolução das personagens. É um tipo de televisão que devia ficar reservado para os amantes das telenovelas, e que não traz absolutamente nada de novo para o panorama televisivo. Ora até achamos piada a um, mas depois aparece outro, e de seguida “de onde surgiu este mesmo?” e este forrobodó romancista acaba por se tornar saturante e de nos fazer revirar os olhos umas quantas vezes durante os episódios.

Firefly Lane também não é uma série que justifique episódios tão longos, já que espremidos apenas se retira deles um aspeto ou outro novo dos avanços da história. Mesmo em termos fílmicos, a série acaba por não ser muito criativa e versátil, tornando-se um produto banal e que poderia muito bem ser adaptada por um canal generalista que precise da próxima novela sensação. Portanto, Firefly Lane age como uma experiência agradável, ainda que aborrecida em muitos aspetos, que tira proveito das boas atrizes que tem, mas que não consegue trabalhar os seus próprios clichés e dar-lhes um ar refrescante.

Firefly Lane Season Finale

Estado da Série: STAND-BY

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50%
Average Rating

Firefly Lane tem a fórmula de sucesso de uma telenovela televisiva, mas falta-lhe um certo carisma e charme por não inovar no seu conceito. Nem mesmo as suas protagonistas conseguem salvá-la da mediocridade.

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