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Crítica: Breve Miragem de Sol (2019)

Breve Miragem de Sol Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BREVE MIRAGEM DE SOL!

Como já é de costume, o filme Breve Miragem de Sol mostra um Rio de Janeiro caótico. Ruas tomadas pelos carros e um trânsito de tirar o sono de qualquer um; muitas pessoas andando para lá e para cá, e a violência que se tornou uma marca registrada, porém triste, de uma cidade que tinha tudo para ser grandiosa pela sua beleza e noite boêmia única. Só que em Breve Miragem de Sol todo esse plano de fundo é mostrado através dos olhos de Paulo, um taxista que circula pelas ruas do Rio durante a noite para conseguir ganhar dinheiro para sobreviver, e, principalmente, pagar a pensão do seu filho, Mateus.

Em Breve Miragem de Sol não há muitas dificuldades em se aproximar de Paulo. Primeiro porque você consegue ver logo de cara que é uma pessoa trabalhadora e que está na luta para se sustentar num meio onde há tantas dificuldades. E segundo, pela grande atuação de Fabrício Boliveira, que carrega todos os sentimentos e angústias do protagonista. Mas, no final, acaba por não se sentir uma verdadeira conexão com o personagem porque a relação entre o taxista e seu filho não é muito explorada. Assim como a própria história de Paulo, pois não sabemos muito sobre o seu passado, e como começou a ter problemas financeiros.

Breve Miragem de Sol traz todo o foco para as frustrações, os medos, os anseios do protagonista na sua batalha para se reestruturar e assim poder estar ao lado do seu filho. A direção de Eryk Rocha explora muito bem todo esse lado emocional, ao usar em boa parte do filme o recurso do plano fechado ou até mesmo o big close-up. Em alguma cenas chega a ficar um pouco confuso, em especial, as que têm muitos movimentos, mas no geral acerta em cheio por dar essa sensação tão íntima do protagonista.

Outro ponto interessante de Breve Miragem de Sol é ver os diferentes tipos de pessoas que passam na vida de um taxista. Dos adolescentes curtindo a noite carioca, ao casal estrangeiro que veio passar férias, do executivo voltando do trabalho às mulheres indo para a rodoviária. Todos com suas histórias, seus ideais, suas crenças e dentro do táxi você passa a conhecer um pouco mais de cada um, mesmo que seja superficialmente. Assistindo a essas cenas, não tem como não se lembrar do filme de Martin Scorsese, Taxi Driver, mas as lembranças param por aí. Voltando a Breve Miragem de Sol, uma das passageiras, Karina, acaba por se envolver com Paulo e os dois passam a se encontrar e desenvolvem uma espécie de relacionamento. Essa relação provoca uma quebra no dia a dia do protagonista que está focado apenas em trabalhar, juntar dinheiro, pagar a pensão do filho e assim poder se encontrar com Mateus. Só que o filme peca mais uma vez por não ter um desenrolar do relacionamento entre Paulo e Karina.

O filme até tem alguns aspetos interessantes, mas acaba por ser uma história um pouco superficial. Breve Miragem de Sol tinha muito espaço para desenvolver os relacionamentos de Paulo com Karina, de Paulo com Mateus, de Paulo com sua ex e Paulo com o próprio Paulo, mas acaba por centralizar demais na luta diária de um pai na busca de poder estar ao lado do seu filho. Quando for assistir ao filme, procure não se apegar tanto à atuação de Fabrício Boliveira, pois ao chegar no final de Breve Miragem de Sol, você vai ficar com aquele gostinho de quero mais.

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Título: Breve Miragem de Sol

Título Original: Breve Miragem de Sol

Realização: Eryk Rocha

Elenco: Fabrício Boliveira, Bárbara ColenCadu N. Jay

Duração: 98 min.

Trailer | Breve Miragem de Sol

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