Cinema Críticas

Crítica: Bai She: Yuan Qi (2019)

Bai She Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BAI SHE: YUAN QI!

Depois das surpresas de Ne Zha e Jiang Ziya, depressa fui pesquisar alguns destes filmes animados mitológicos chineses e deparei-me com Bai She: Yuan Qi, que na tradução inglesa fica White Snake. É mais uma história rica em simbolismos, mas fracassa em ter o mesmo carisma e charme dos anteriormente mencionados. Blanca é uma jovem demónio-serpente, com a missão de assassinar um general que ameaça a existência da sua tribo. Ao fracassar, a jovem é resgatada por uma comunidade de aldeões e perdeu a memória do que lhe aconteceu. Ao recuperar forças, Blanca conhece Xuan, um caçador de cobras, com quem depressa forja uma relação muito próxima, brotando um romance improvável, e o qual será fulcral nas aventuras que se seguem.

Bai She Critica de Cinema

Bai She: Yuan Qi é um filme que contém em si alguns aspetos dúbios e outros mais “aclichezados” que acabam por não o conseguir aproximar das obras do universo mitológico de Ne Zha e Jiang Ziya. A história absorve alguns contornos shakespearianos, numa redenção mais suave de um Romeu e Julieta e um enredo fantasioso de imagens (quase) sempre belas, mas de história apressada e sem grande enquadramento. Bai She: Yuan Qi é um daqueles filmes de animação que tem os elementos certos para captar a atenção das gerações adolescentes, utilizando algumas personagens carismáticas, gráficos tonificados e extremamente bem conseguidos, no seu geral, para tornar esta jornada mais atraente em termos visuais. Mas os clichés amorosos acabam por tornar-se demasiado incidentes e previsíveis, tornando a experiência de Bai She: Yuan Qi menos profunda e menos focada neste universo onde se insere. A verdade é que, ao contrário dos restantes filmes do género, esta viagem de Blanca e Xuan acaba por não explorar devidamente o background do seu mundo, cingindo-se a uma aventura muito linear e que não aproveita o seu maior potencial.

Mesmo que alguns dos cenários virtuais sejam bastante eye-catching, já algumas sequências parecem saídas de um jogo de iPhone com melhores gráficos, tornando a experiência incomodativa para o espectador. Sem dúvida que há algum mérito nos adornos argumentativos, já que Bai She: Yuan Qi tem aqueles elementos-chave que o fazem não ser totalmente um filme recomendável para crianças, havendo uma intimidade sexual entre personagens e alguns contextos dramáticos e de desenvolvimento narrativo que não irão certamente tocar a um público mais jovem. Ainda assim, Bai She: Yuan Qi acaba por ser uma desilusão a alguns níveis, especialmente porque se retrai em ampliar o seu leque narrativo e incutir elementos da mitologia chinesa mais cativantes, como os seus antecessores assim o conseguiram. Ou melhor, aquilo que Jiang Ziya tinha demais, aqui era mais que bem-vindo! Mas, claro, isto deve ser julgado por cada um consoante as suas opiniões destes filmes animados chineses que, pelo menos, trazem um pouco de fantasia interessante aos nossos dias.

Bai She Critica de Cinema

Para mim, Bai She: Yuan Qi tem algumas imagens bonitas e umas personagens adoráveis, mas não são suficientes para tornar o filme memorável pela carência de uma história mais rica e por sucumbir aos clichés mais óbvios do cinema que, de alguma forma, o impedem de crescer noutros aspetos. Ainda assim poderá ser o serão que muitos andam à procura há já algum tempo.

Leiam outras Críticas aqui.

Título: A Serpente Branca

Título Original: Bai She: Yuan Qi

Realização: Amp Wong & Ji Zhao

Elenco: Tiangxiang Yang, Zhe Zhang, Yaohan Zhang, Boheng Zhang, Xiaoxi Tang.

Duração: 99 min.

Trailer | Bai She: Yuan Qi

Comments