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Crítica: Son of the South (2020)

Son of the South Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SON OF THE SOUTH!

É tão adorável quando vemos filmes a serem mal classificados por razões aparentemente ligadas ao racismo ou à homofobia; especialmente porque, quanto mais os colocam a baixo, mais relevantes e encantadores se tornam. Depois de Breaking Fast mostrar que é um filme LGBTQ+ digno e extremamente interessante, agora é a vez de Son of the South prová-lo na temática da discriminação racial. Conheçam um dos vultos deste movimento: Bob Zellner, um jovem que é neto de um membro veterano do KKK e que nega as suas tradições familiares e origens, e se alia ao movimento dos direitos humanos em prol de beneficiar a comunidade afro-americana. Obviamente que isto é visto com desdém pela sua família, que o ameaça seriamente (e com regularidade), mas sem frutos. Sem grandes expectativas e, mesmo não sendo perfeito, Son of the South é uma jornada extremamente gratificante por este cenário de exclusividade social, onde o carisma de Lucas Till finalmente dá frutos no ramo do cinema.

Son of the South Critica de Cinema

Mesmo que não seja um filme propriamente completo, já que as personagens secundárias acabam por ser muito frágeis na sua exploração, Son of the South recupera o recentemente falecido Brian Dennehy e coloca-o numa última prestação grandiosa (ainda que detestável) antes da sua partida, apostando no ar confiante do seu protagonista e utilizando os clichés com um toque de ternura que assenta que nem uma luva na temática. Tal como Selma, Son of the South é um filme progressista, com uma mensagem importante e que retrata um período histórico ainda demasiado fresco. A vida de Bob Zellner é tão inspiradora quanto as pessoas que o acompanharam, atuando como um meio de sensibilizar que nem todos partilham os valores revoltantes do KKK e que “a maçã podre” de uma família é uma “refeição bem-vinda” de outra. Zellner foi um lutador pelos direitos humanos e foi apreendido dezassete vezes pela polícia, tornando-se num ícone que merece ser celebrado pela sua coragem.

Claro que o filme pode ser contemplado como uma forma de enaltecer a comunidade caucasiana num altura delicada e acaba por ofuscar a comunidade que procura tanto defender. Não o vejo desta forma, aliás, o filme é genuíno na sua mensagem e a história de Zellner acaba por ser inspiradora porque o ser humano consegue estar lado a lado e a combater as maiores batalhas sem que a cor da nossa pele seja um problema. Forjam-se alianças e não se constroem barreiras. Esta é a sua maior mensagem e Bob Zellner acaba por ser um vulto que merece o respeito da sociedade e lutou contra a própria família em prol dum bem maior.

Son of the South Critica de Cinema

Son of the South, por muito que seja um exercício que fica um pouco no superficial na temática que aborda, não deixa de ser importante e pintado com toques muito adoráveis que incute especialmente nas suas personagens, ainda que estas merecessem um tratamento mais profundo. Portanto, numa altura de tantos filmes baços e sem grande conteúdo, Son of the South insurge-se e traz um pouco de esperança de que, futuramente, a sociedade comece a ser mais como Zellner e a lutar mais a favor da união e não da separação.

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Título: O Filho do Sul

Título Original: Son of the South

Realização: Barry Alexander Brown

Elenco: Sienna Guillory, Julia Ormond, Lucy Hale, Brian Dennehy, Lucas Till, Ludi Lin, Jake Abel, Lex Scott Davis, Shamier Anderson, Cedric the Entertainer, Mike Manning, Dexter Darden, Chaka Forman.

Duração: 101 min.

Trailer | Son of the South

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