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Crítica: Âya to majo (2020)

Âya to majo Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ÂYA TO MAJO!!!

Com os avanços tecnológicos que temos vindo a testemunhar ao longo das décadas, são cada vez mais os estúdios de produção animada que fazem o salto da animação tradicional para a animação em 3D. É uma tendência que mesmo estúdios de renome como a Disney não têm sido imunes (resultados é um caso aparte, na maior parte das vezes). A Studio Ghibli, que nos trouxe obras icónicas de mestres da animação japonesa como Hayao MiyazakiIsao Takahata, tem sido uma das poucas que, contra tudo e contra todos, tem resistido a essa tendência. No entanto, com este Âya to majo – também conhecido como Earwig and the Witch – o estúdio dá o salto para a terceira dimensão. E infelizmente, os resultados são um tanto ou quanto desastrosos.

Baseado no livro do mesmo nome da autora Diana Wynne JonesÂya to majo centra-se em Earwig, uma rapariga que fez a sua infância num orfanato inglês. A sua vida muda quando esta é adotada por Bella Yaga e Mandrake, um casal peculiar com uma ligação profunda à magia.

Âya to majo Crítica de Cinema

É claro que Âya to majo era um dos filmes mais esperados dos fãs da animação japonesa, e existiam duas boas razões para tal: 1) seria o primeiro salto do Studio Ghibli para a animação em 3D numa longa-metragem; e 2) seria o regresso de Goro Miyazaki para a cadeira de realizador depois de Kokuriko-zaka kara (ou From Up on Poppy Hill). No entanto, ambas as razões acabaram por surtir um resultado bastante agridoce, de uma forma geral.

Verdade seja dita, Goro Miyazaki tem uma porção da culpa em relação a esta película, mas existem outros fatores importantes. Keiko Niwa e Emi Gunji estiveram a cargo da narrativa do filme, e embora ambos já tenham dado provas de um talento inegável em outras películas do estúdio, este filme fica aquém do desejado. Não só se movimenta a um ritmo demasiado lento (fica a ideia de que tudo o que foi testemunhado, em outros filmes, teria servido para metade da narrativa), mas existe uma clara ausência de sentimento, algo que já se tornou característico em outros filmes do estúdio. Longe está a narrativa simples, mas ao mesmo tempo complexa, com temas maduros que nos deixam a ruminar durante dias a fio; aqui, é um filme que é só simples e não desenvolve mais a partir daí.

Âya to majo Crítica de Cinema

Mas claramente o ponto mais fraco de Âya to majo reside na sua componente técnica. Em termos de animação, este filme está ao mesmo nível das produções animadas europeias, no sentido de terem um aspeto mais barato e execução duvidosa. Claro que possui algumas marcas já características dentro do Studio Ghibli, especialmente no design de algumas personagens aqui presentes (o Mandrake, a meu ver, tem aquele je ne sais quoi já habitual, e os seus lacaios, quando presentes, são tanto bizarros como adoráveis), mas de nada vale quando a animação em si fica bastante aquém do desejado. E mesmo no aspeto sonoro o filme não é dos melhores, uma vez que se torna bastante palpável que não existe uma sincronia entre a imagem e o som (para que conste, vi o filme na língua japonesa, de maneiras que não posso dizer muito sobre a sua versão dobrada em inglês). Os atores vocais são decentes nos seus respetivos papéis, mas também não são propriamente surpreendentes no seu todo.

Em suma, havia uma ideia de expectativa em relação a Âya to majo, especialmente nas duas razões mencionadas acima. No entanto, é apenas um filme genérico com uma animação que só pode ser descrita como uma “atrocidade visual” para um estúdio de animação com a reputação do Studio Ghibli.

Âya to majo Crítica de Cinema

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Título: Earwig and the Witch

Título Original: Âya to majo

Realização: Goro Miyazaki

Elenco: Kokoro Hirasawa, Shinobu Terajima, Etsushi Toyokawa, Gaku Hamada

Duração: 82 minutos

Trailer | Âya to majo

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