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Crítica: Seungriho (2021)

Seungriho Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SEUNGRIHO!

Como já é de conhecimento geral, a Netflix tem apostado imenso em conteúdo da Coreia do Sul. Depois das séries Extracurricular e Sweet Home, é a vez dos coreanos nos provarem o que sabem fazer em relação à ficção científica. Seungriho é a nova epopeia espacial que se foca num grupo de desajustados que sobrevive a recolher lixo espacial que está em órbita em torno do planeta, até que descobrem um androide robótico sob a forma de uma menina adorável que é uma arma de destruição maciça, mudando todo o curso das suas vidas. Estamos em 2092, onde o planeta está a sofrer com a desertificação devido às temperaturas altas e os humanos que ainda habitam no mesmo precisam de tentar sobreviver ao utilizar máscaras diariamente para filtrarem o ar tóxico que se tornou insustentável para a vida na Terra. Os privilegiados acabam por ser transferidos para uma utopia espacial liderada pelo misterioso James Sullivan, que esconde alguns demónios no seu armário. Com uma polarização tão grande de classes, Seungriho foca-se nos sobreviventes que tentam salvar a população restante da Terra, ao mesmo tempo que procuram uma solução para o seu novo dilema em mãos: o que fazer com Dorothy, o androide que pode detonar a qualquer momento?

Seungriho Critica de Cinema

Seungriho é uma versão interessante asiática de The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, absorvendo um humor divertido e uma aventura refrescante de ficção científica, ainda que esteja longe de ser perfeita. O bom de Seungriho é que as personagens são trabalhadas de forma gradual, permitindo que o público conheça os motivos que os trouxeram àquele momento temporal específico. Para além disso, tem uma narrativa cativante e que pode muito bem dar origem a sequelas ou a um universo cinematográfico dentro da sua vasta premissa, revelando a criatividade mais inesperada do épico espacial. Ainda que seja extensamente longo e com um último ato desnecessariamente complexo, Seungriho acaba por surpreender naquela componente de entretenimento que é tão especial e tão essencial nos tempos que correm. A verdade é que rompe com o clima que gira em torno das obras de culto de Star Wars ou Star Trek e aproveita um conceito novo e que nos conquistar por criar uma ligação com um futuro provável e não-tão-longínquo quanto isso da História da Humanidade. Para além disso, as prestações são, no seu geral, cativantes e a utilização de um elenco diversificado para não se restringir totalmente a patriotismos desnecessários ajuda Seungriho a elevar-se para um patamar superior. O maior problema é mesmo a duração longa e maçuda, que mesmo que se justifique até certo momento, acaba por fazer com que o espectador perca o interesse, apetrechando o filme com sequências que podiam muito bem compor uma segunda parte de uma trilogia ou de uma potencial saga.

Seungriho Critica de Cinema

Ainda assim, há todo um trabalho fenomenal de realização, onde Sung-hee Jo expõe gradualmente as suas ideias e consegue-as articular sem cair em exageros nem de parecer demasiado incoerente. Os visuais, ainda que se esforcem para permanecerem credíveis, acabam por nem sempre captar a nossa atenção, jogando com um misto de criatividade gigantesca, mas sem orçamento para serem ainda mais empolgantes. É quase como uma versão de teste de efeitos que a saga de Star Wars tem para oferecer. Embora estes visuais infantilizados sejam uma pulguinha atrás da orelha, não impedem que Seungriho progrida em termos argumentativos. Há todo um trabalho que enaltece as personagens e lhes dá particularidades engraçadas, fazendo com que este universo seja verdadeiramente rico e diversificado. As intenções do realizador acabam por ser notórias (e também notáveis) especialmente quando se foca nesta polarização de classes num mundo muito aproximado ao nosso mas num contexto futurista, realçando que há problemas de maior importância para se resolver antes de chegarmos a uma realidade hipotética semelhante à do filme.

Portanto, mesmo não sendo totalmente grandioso, Seungriho é uma aventura espacial muito divertida, que tem bastante conteúdo, ainda que o devesse dispersar mais para não encher demasiado uma película que podia muito bem ser dividida em duas e assim condensar a sua vasta informação. É um bom começo para este realizador e um que merece continuar a ficar debaixo d’olho em futuros projetos.

Seungriho Critica de Cinema

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Título: Missão Victory

Título Original: Seungriho

Realização: Sung-hee Jo

Elenco: Song Joong-Ki, Kim Tae-ri, Seon-kyu Jin, Hae-Jin Yoo, Richard Armitage, Ye-Rin Park, Mu-Yeol Kim.

Duração: 137 min.

Trailer | Seungriho

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