Cinema Críticas

Crítica: Black Beach (2020)

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CONTÉM SPOILERS DE BLACK BEACH!

Chega a ser espantoso, já em 2021, ainda recebermos um vídeo com uma visão tão colonialista como é Black Beach. Tudo isso disfarçado de boas intenções, é claro. Mas, o filme causa incómodo a partir do momento em que começa a retratar um país africano de maneira idealizada para o negativo.

Essa idealização percebe-se melhor justamente pelas cenas iniciais, em que vemos o protagonista Carlos em uma casa luxuosa, com a esposa grávida, saindo para correr de manhã, indo em festas grandiosas e tudo o mais que pode caber dentro de um padrão de vida perfeito. Pouco tempo depois, descobrimos que Carlos trabalha para uma grande empresa de petróleo e precisa resolver o caso de um funcionário sequestrado num país africano. A partir daí tudo começa a descambar, não apenas para o personagem infelizmente.

O homem branco vai para África (e falo o nome de continente porque tudo é tratado de maneira genérica) e sabemos que ele tem uma relação com o lugar: um passado amoroso e de amizades que é revelado. A todo momento, os diálogos tentam deixar explícito que Carlos leva uma vida melhor que todos ali, a não ser talvez do que os que conseguiram subir na vida de maneiras ilegais.

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Entre cenas que mostram as injustiças DE TODO o continente africano e as condições precárias da população (numa das cenas, Carlos chega com um carro luxuoso numa feira popular onde tudo é sujo e todos estão suados para poder falar com uma antiga conhecida, que mora num barco), falas sobre racismo e outros preconceitos são colocadas no roteiro e tentam disfarçar o facto de todos os personagens negros servirem de empurrão para o protagonista conquistar o que quer. Numa cena forte, Carlos consola uma mulher negra que há poucos minutos chorava com o corpo da mãe no colo no meio de uma chacina em que vemos dezenas de corpos negros espalhados pelo chão. E todos o respeitam, obviamente. Um verdadeiro herói, não é mesmo? Ele até leva uma criança negra para sua própria casa perto do fim do filme, para o desespero da esposa grávida.

Para além do colonialismo europeu, Black Beach também peca em ritmo. As reviravoltas são previsíveis e tudo é mais lento do que parecia ser, intencionalmente falando. A direção de Esteban Crespo não inova e uma grande cena de ação só acontece após mais de uma hora de projeção, com mortes de secundários e figurantes negros… bastante crueldade, muitos tiros e a explosão de um helicóptero. As situações enrascadas em que Carlos se envolve parecem com as de diversos outros filmes, com pouca tentativa de inovação ou para parecer um pouco diferente.

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Título: O Mediador

Título Original: Black Beach

Realização: Esteban Crespo

Elenco: Raúl Arévalo, Paulina García, Candela Peña, Babou Cham.

Duração: 110 min.

Trailer | Black Beach

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