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Crítica: A Nightmare Wakes (2020)

A Nightmare Wakes Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE A NIGHTMARE WAKES!

Proveniente do canal Shudder, que nos tem trazido algumas obras curiosas e diferentes, A Nightmare Wakes é um misto de desilusão com algumas nuances interessantes e que fogem um pouco do cliché de filmes de terror. Mary Shelley é um nome que os amantes da literatura conhecem bem, já que é a autora do clássico icónico Frankenstein. Aqui, acompanhamos uma fase da sua vida delicada, já que Mary está grávida e começa a ser atormentada por pensamentos e alucinações que propiciaram a escrita do seu tão famoso romance. É um filme que não é propriamente de fácil digestão, sendo que as prestações algo amadoras e uma construção da narrativa pouco linear acabam por ofuscar algumas das mensagens mais cativantes do filme.

A Nightmare Wakes Critica de Cinema

Escrito e realizado por Nora Unkel, A Nightmare Wakes é, tal como o título indica, um pesadelo constante que afeta a protagonista e a leva a dar à luz uma obra que será nutrida por todo o mundo, e os seus falhanços em conseguir trazer uma criança ao mundo. O clima de frustração, aliado a uma relação trépida com o seu cônjuge Percy, acabam por influenciar e veicular esta ideia de que a criatividade em torno do processo de escrita de Shelley advém de dificuldades que estão espelhadas nas suas páginas. Esta decadência de uma mente que perdeu aquilo que seria o seu bem mais precioso (por duas vezes!) e a frustração inegável de não poder ser mãe (ainda que estivesse relutante a certa altura) são o sumo que dão origem ao seu trabalho. É quase como se Mary depositasse poeticamente as suas experiências trágicas em palavras e com personagens que foram surgindo durante os seus devaneios durante as gravidezes. A verdade é que Unkel tem mensagens interessantes, mas a sua execução não é propriamente a melhor, já que o filme sofre com as prestações pouco convincentes de um elenco jovem e ainda inexperiente, para além de um terror pouco coeso e que nos leva a perder o interesse rapidamente.

Ainda que a banda-sonora consiga ajudar a elevar alguma da intensidade dramática, A Nightmare Wakes acaba por ser um filme frágil e que não transmite muita segurança ao expectador que o visualiza. A certa altura, o filme começa a tornar-se errático e os acontecimentos tornam-se demasiado dispersos para agradar ao público, colocando a visão da realizadora comprometida pelas suas ambições. Há, claro, algo de interessante aqui, ainda que a exploração não tenha a vida que necessitava para se tornar ainda melhor. Alix Wilton Regan, que interpreta a autora, acaba por roubar os louros e algumas sequências violentas com sangue constante deixam-nos desconfortáveis, para além do aspeto psicológico que mencionei no parágrafo anterior. Mas os problemas mais óbvios são a falta de um elenco mais cativante, um ritmo mais linear e um mote mais forte para que A Nightmare Wakes permaneça na nossa memória.

A Nightmare Wakes Critica de Cinema

Infelizmente, é uma obra que acaba por falhar nalguns aspetos fulcrais e, por muito boas intenções que tenha, A Nightmare Wakes não consegue elevar-se da mediocridade e, mesmo tendo criatividade, ela desvanece quando a sua realizadora não consegue assumir o controlo de tudo o que vai na sua própria mente. Ainda assim, este é um filme que pode apelar àqueles que procuram algo invulgar dentro do género do terror, e procuram uma justificação para o processo criativo de uma autora que se imortalizou na literatura. Mesmo sendo um produto de ficção e idealizado como um capítulo de terror, não deixa de pegar em algo já adaptado imensas vezes para o cinema e dar-lhe um toque minimamente original.

Título: O Despertar do Pesadelo

Título Original: A Nightmare Wakes

Realização: Nora Unkel

Elenco: Alix Wilton Regan, Giullian Yao Gioiello, Claire Glassford, Philippe Bowgen, Lee Garrett.

Duração: 90 min.

Trailer | A Nightmare Wakes

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