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Crítica: Wszyscy moi przyjaciele nie zyja (2020)

Wszyscy moi przyjaciele nie zyja Crítica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WSZYSCY MOI PRZJANCIELE NIE ZYJA!

Wszyscy moi przyjaciele nie zyja está longe de ser marcante e não chega a cumprir completamente as suas propostas iniciais. Falta graça num filme que, na verdade, parece ter tudo em excesso com o ar de uma comédia americana cheia de piadas sexuais, que foi sucesso no começo dos anos 2000. Durante o ano novo, um jovem resolve dar uma festa em casa escondido dos pais que estão viajando, mas sabemos desde o começo que tudo vai dar errado, já que todos os personagens estão sendo encontrados mortos na cena inicial. É um Clímax, do Gaspar Noé, puxado para a comédia e a sátira.

Apesar de ser uma situação comum, ver a embalagem americana num filme de outro país (Polónia, nesse caso) causa estranhamento. Talvez por conta do senso de humor polonês ser mais sério do que estou acostumado. Apesar disso, o filme segue com a impressão de que poderia se passar em qualquer lugar, o que pode ser um ponto positivo ou não. A primeira impressão é que se trata de um remake de umas dessas comédias de há 20 anos atrás, mas com a promessa de menos machismo e homofobia que os seus antecessores. Infelizmente, esse ponto fica só na promessa.

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A estrutura do roteiro é bastante tradicional, mas muito bem utilizada por Jan Belcl (que também assume a direção), principalmente quando as cenas finais acontecem, associando histórias e trazendo elementos de outros momentos da trama. O início do filme, por exemplo, com frases de efeito saindo o tempo inteiro das bocas dos especialistas na casa onde as mortes aconteceram, é quase uma cena de CSI, só faltou alguma dessas falas serem seguidas de uma canção dos The Who num volume alto e um corte para a abertura da série. E a música utilizada para o filme é bem semelhante à da banda britânica.

Quando começamos a ver o que aconteceu na festa, a graça (que já era pouca) começa a perder-se. Os personagens são apresentados por mais de 30 minutos até o incidente inicial. São casais problemáticos e estereótipos de pessoas com traços de vícios sexuais e conservadorismo. Dois personagens chegam a ser apontados por um terceiro que se refere a eles como o alívio cómico da turma. Todos são tão marcados por suas características que nem chegamos a aprender seus nomes. De alguma forma, o filme ainda consegue prender a atenção, talvez por manter no ar a promessa de uma boa surpresa para a causa da morte de todas as pessoas na festa.

Porém, mesmo depois do primeiro incidente, o ritmo continua lento. Os personagens são aprofundados de maneira ruim e algumas das tramas mais interessantes são subaproveitadas, tendo poucas cenas ao longo do filme. Junto a isso, críticas sociais são levantadas em vão, com conversas rápidas sobre posse de armas e relacionamentos amorosos entre pessoas com grandes diferenças de idade. Por sorte do filme, o elenco consegue segurar bem os discursos vazios.

Junto com o elenco, vale destacar a direção, que realmente traz boas sacadas, com uma edição com truques espertos e enquadramentos bem planejados, tudo embalado com uma boa trilha sonora.

Mas o filme quase que se perde nos tipos de comédia que escolhe, trazendo momentos fofos para o meio do universo caricato e irónico que foi prometido nos primeiros minutos, quando minha imaginação ia até para CSI.

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E tudo se perde no fim, com a revelação trágica da morte de um dos homens de um casal homossexual recém revelado e com um outro homem que tem o pedido de casamento negado por uma mulher e a persegue com o machado. Há ainda um suicídio, e como alívio problemático dos temas trazidos, essas tramas são levantadas enquanto o silicone de uma mulher é estourado com um taco de basebol. Já a chuva de mortes tão esperada só acontece nos últimos 15 minutos com situações absurdas, no melhor estilo Happy Tree Friends, mas sem a graça e a desconexão da realidade que o desenho animado trazia. O clímax (não o do Gaspar Noé, bem diferente, aliás) encerra-se com uma narração que acredita ser mais descolada do que realmente é, depois do absurdo das últimas cenas.

A linha de humor sádico é ultrapassada e o filme não parecia encaminhar para isso.

Talvez a confusão seja gerada pelo excesso. Pecar pelo exagero talvez seja o grande problema da longa-metragem. Excesso de temas, excesso de pessoas, excesso de tons e até mesmo de mortes, que a princípio era o fator mais atrativo do filme, e que até nos prende de alguma forma até o fim, mas entrega um resultado quase que totalmente negativo.

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Título: Todos os Meus Amigos Estão Mortos

Título Original: Wszyscy moi przyjaciele nie zyja

Realização: Jan Belcl

Elenco: Michal Sikorsko, Mateusz Wieclawek, Julia Wieniawa-Narkiewicz, Monika Krzywkowska, Kamil Piotrowski, Nikodem Rozbicki.

Duração: 96 min.

Trailer | Wszyscy moi przyjaciele nie zyja

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