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Crítica: Rocks (2019)

Rocks Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ROCKS!

Rocks é uma adolescente que vive com a sua mãe e o seu irmãozinho adorável num subúrbio de Londres, que tem sonhos para o seu sucesso e um grupo de amigas dedicado. Mas todo este mundo de Rocks muda repentinamente quando a sua mãe desaparece das suas vidas e a deixa completamente responsável pelo seu irmão, com apenas um punho de trocados e um bilhete sem uma desculpa plausível. Rocks é um drama realizado por Sarah Gavron e tem uma força emocional enorme, já que possui um elenco diversificado e uma temática sensível. É também um produto que tira proveito do seu estilo independente para atingir o público de forma mais intensa, tornando-se imprescindível separarmo-nos de Rocks (e do seu amoroso irmão Emmanuel) e dos problemas que enfrentam durante esta sua jornada.

Rocks Critica de Cinema

Não é um filme perfeito, já que não amplia esta situação de uma forma mais intensa como, por exemplo Capharnäum, e não devia retrair-se em chocar e tornar os momentos dramaticamente mais poderosos. É importante temos noção dos comportamentos da protagonista antes e depois do evento que lhe mudou a vida; e Rocks faz esse trabalho de forma subtil, apoiando-se numa empatia direta e não construída. No entanto, é preciso criar mais mecanismos para que o público fique impelido a ter de tomar uma atitude e de sentir que a história de Rocks é igual a muitas outras, ou que é um cenário real que não está dependente da idade em que acontece, mas sim nos baixos mais duros que forçam um crescimento maior e mais repentino do indivíduo. Neste aspeto, Rocks é muito suave e um pouco “colorido” demais para marcar pela diferença.

No entanto, há todo um conjunto magnífico de atributos que Gavron traz para a sua visão, especialmente no desenvolvimento das personagens secundárias que são parte integral (e fulcral) na viagem de Rocks. As prestações deste elenco adolescente e juvenil são extraordinárias, tanto que se a realizadora elevasse o grau de violência e de choque para o público, não se ficaria só por um filme inspirador pelas razões mais fáceis, mas uma obra completa e que ficasse gravada na mente do público por muito tempo. Bukky Bakray é absolutamente magistral e ao seu lado temos Kosar Ali e D’angelou Osei Kissiedu, três estreantes que certamente irão ficar na mira dos grandes estúdios porque os seus registos são fantásticos, para além de haver uma atmosfera de perigo muito semelhante à de Mignonnes mas que carece do impacto que este mesmo teve. É preciso choque, é preciso sermos corajosos para enfrentarmos realidades que não queremos aceitar. O cinema e a televisão são porta-vozes para retratar aspetos que queremos negar a todo o custo que existem, mas isso não lhes tira existência, simplesmente corta as asas a quem quer cometer riscos de as ilustrar, muitas vezes recorrendo a uma suavização da temática que não o torna melhor, mas sim mais esquecível a longo prazo.

Rocks Critica de Cinema

Portanto, Rocks é um filme muito agradável e que tem mérito próprio, especialmente por ter uma realizadora competente e com sensibilidade para perceber o que tem em mãos, mesmo que seja retraída em cometer alguns riscos que certamente beneficiariam o filme ainda mais. Ainda assim, é recomendável e altamente apetecível.

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Título: Rocks

Título Original: Rocks

Realização: Sarah Gavron

Elenco: Bukky Bakray, Kosar Ali, D’angelou Osei Kissiedu, Shaneigha-Monik Greyson, Ruby Stokes.

Duração: 93 min.

Trailer | Rocks

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