Cinema Críticas

Crítica: Treasure Planet (2002)

Treasure Planet Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE TREASURE PLANET!!!

Durante a história das artes, temos vindo a encontrar obras literárias que, ainda hoje, causam um impacto inegável. Uma dessas obras é Treasure Island, o livro de 1883 escrito por Robert Louis Stevenson. Além de pertencer à lista do Plano Nacional de Leitura para os estudantes do 7º ano de escolaridade, é também uma obra que já teve direito a inúmeras adaptações (inclusive a série-prequela Black Sails), ao ponto de chegar quase ao ponto de exaustão. Mas foi em 2002 que a Disney teve uma ideia bizarra: transformar o clássico em redor de tesouros e piratas num filme de ficção científica. E assim nasceu este Treasure Planet!

Tal como o livro em que o filme se baseia, Treasure Planet centra-se em Jim Hawkins, um jovem deliquente que deita as suas mãos num misterioso mapa que o leva ao Planeta do Tesouro, um local repleto de mistérios tido como o local do tesouro do Capitão Flint, o Saque de Milhares de Mundo. E assim, Jim embarca numa aventura pela galáxia, enfrentando desastres cósmicos e ameaças próximo, enquanto vai apredendo algumas lições sobre a vida.

Treasure Planet Crítica de Cinema

Tal como tinha mencionado acima, Treasure Island é um dos livros mais adaptados até à data. Ainda que hajam versões que conseguem honrar a visão de Stevenson, a verdade é que o “fator novidade” acaba por se perder no número infindável de vozes e estilos que esta história já proporcionou ao longo das décadas. Treasure Island acaba por ser uma espécie de compromisso. Por um lado, consegue manter-se fiel às ideias do livro, mas o panorama da ficção científica acaba por lhe dar um toque singular. Por outras palavras, o filme conseguirá seduzir aos fãs do livro, ao mesmo tempo que acaba por conceder uma versão inovadora e raramente vista no cinema.

Aliás, é no campo audiovisual que Treasure Planet acaba por arrancar elogios rasgados. Passados quase 20 anos, os efeitos visuais do filme – que exibem uma espécie de híbrido entre a animação tradicional e a animação por computador – continuam a exibir uma qualidade acima da média para a época em que o filme foi lançado. E considerando a ficção científica como pano de fundo, os ilustradores acabam por ter “carta branca” para desenhar os espaços e as criaturas mais bizarras até à data. Vermos uma nau tecnologicamente avançada – inclusive com velas solares e propulsores – ou vermos os vários alienígenas nos mais variados formatos e feitios, ou mesmo os locais de revelo em que o filme toma lugar, acabam por ilustrar o nível de criatividade por detrás deste filme. E, claro, há que mencionar os contributos sonoros de James Newton Howardque, no meio do “caos” que o filme proporciona, acaba por incutir o desejo de uma aventura sem igual.

Treasure Planet Crítica de Cinema

A nível da narrativa, não esperem grandes inovações deste Treasure Island, uma vez que serve como uma espécie de adaptação mais fiel ao livro de Stevenson, apenas leva com um toque de ficção científica por cima. Por outras palavras, se já leram o livro ou investiram o vosso tempo nas várias versões existentes para o grande ecrã, podem não encontrar uma obra que seja verdadeiramente inovadora.

Mas enquanto a história pode ser vista como um “calcanhar de Aquiles” suavizado, a escrita pelo menos faz maravilhas com as personagens que tem a seu dispor. O filme conta com um elenco recheado de alguns nomes conhecidos (especialmente para a indústria cinematográfica moderna), mas torna-se mais do que evidente que as personagens-chave do filme são Jim e o cozinheiro da nave, John Silver. E é aqui que começam a surgir algumas diferenças com o material em que o filme se baseia, com os dois a entrarem numa relação de pai e filho genuína, mérito esse que se deve tanto à montagem acompanhada com I’m Still Here, a música original do filme composta e executada por John Rzeznik, vocalista dos Goo Goo Dolls, mas também às prestações de um Joseph Gordon-Levitt relativamente desconhecido na altura e Brian Murray como Jim e Silver, respetivamente. E ambas as performances são deliciosas de se ouvir e interiorizar, e considerando que o elenco conta com nomes como Emma ThompsonLaurie Metcalf ou Martin Short, é deveras impressionante.

Treasure Planet Crítica de Cinema

No entanto, Treasure Planet não é propriamente infalível. Tal como tinha mencionado acima, o facto de este se manter fiel ao espírito do livro em que se baseia signifca que, apesar de estar tingido de ficção científica, acaba por ser mais um filme que adapta Treasure Island, não tendo muita margem de manobra para liberdades a nível da narrativa. E mesmo quando existe essa liberdade, algumas adições acabam por fazer mais mal do que bem. E não melhor exemplo disso do que B.E.N., o robô que dá entrada já perto do final do filme. O seu design pode até ser interessante, e Short faz o melhor que pode com o que lhe é oferecido, mas fica a ideia que a sua presença e ações fazem mais para alongar o filme do que lhe dar algum tipo de benefício.

Apesar de ter uma história um tanto ou quanto familiar, Treasure Island acaba por dar um tom diferente à história de Robert Louis Stevenson através da ficção científica. É um filme que mostra o seu lado mais criativo em todo o seu esplendor, quer a nível do design ou da mistura entre dois estilos distintos de animação. Uma boa obra para se ver em família.

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Título: O Planeta do Tesouro

Título Original: Treasure Planet

Realização: Ron Clements, John Musker

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Brian Murray, David Hyde Pierce, Martin Short, Emma Thompson, Laurie Metcalf

Duração: 95 minutos

Trailer | Treasure Planet

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