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Crítica: The Dig (2021)

The Dig Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE DIG!

A Netflix lançou uma campanha de marketing extraordinária para cinema, revelando que o streaming é uma das formas mais recorrentes do momento para se apreciar cinema. The Dig é o seu mais recente filme de grande calibre, com Ralph Fiennes e Carey Mulligan nos principais papéis. É um drama epocal, que nos leva para 1938, mesmo no limiar do começo da 2ª Guerra Mundial, onde um arqueólogo de nome Basil Brown é chamado até a Suffolk, para escavar o terreno de Sutton Hoo, pertencente a Edith Pretty, que desconfia conter algo histórico nele. É aqui que se dá uma das maiores escavações da história do Reino Unido e uma que marcou pela diferença, contra todas as odes.

The Dig Critica de Cinema

The Dig é um filme extremamente competente e que, se não se prolongasse tanto, conseguia ser ainda melhor. Simon Stone, o realizador, consegue provocar-nos momentos de plenitude, ao saber precisamente onde posicionar a câmara e tirar proveito de planos amplos e que captam a natureza envolvente às personagens. E, melhor ainda, é que os atores são fabulosos e já é um pouco criminoso que Ralph Fiennes ainda não tenha um Óscar na sua prateleira. É um ator tão versátil, tão desafiante nos papéis que escolhe e em The Dig continua com a sua carreira magnífica e que não mostra sinais de abrandamento. É na sua relação com a protagonista Carey Mulligan, que The Dig ganha uma força genuína, para além de uma pitada amorosa do pequeno Archie Barnes que traz uma doçura ainda mais apelativa para a temática.

Há todo um trabalho técnico fabuloso em The Dig, com um guarda-roupa e cenários cativantes, para além de um fluxo de eventos que encaixam bem no desenrolar da história no seu geral. Um dos problemas maiores com The Dig é a quantidade desmesurada de personagens secundárias que começam a tirar focos da narrativa principal e acabam por ser mecanismos de apelar a uma camada mais jovem com paixões a brotar inesperadamente e demasiados intervenientes que começam a tirar proveito da escavação. Johnny Flynn, Lily James e Ben Chaplin são algumas das figuras que interpretam estas personagens descartáveis e que acabam por empanturrar The Dig com dilemas de menor relevância. Os desvios constantes da narrativa para lhes dar crédito e relevância tornam-se inimigos do filme, que começa a ceder a alguns clichés desnecessários. Claro que é impossível não nos rendermos à mensagem principal de The Dig, mas depressa começamos a perder interesse quando estas personagens secundárias começam a trazer dilemas pobres, apoderando-se de grande parte do tempo de antena.

The Dig Critica de Cinema
THE DIG (L-R): CAREY MULLIGAN as EDITH PRETTY, RALPH FIENNES as BASIL BROWN. Cr. LARRY HORRICKS/NETFLIX © 2021

Ainda assim, há que reforçar mais uma vez que The Dig vive dos seus atores maravilhosos e dignos de Óscar, especialmente Mulligan e Fiennes. Toda a componente técnica assenta que nem uma luva e recupera o charme britânico em produções cinematográficas. Não é uma obra-prima, pelos motivos mencionados em cima, mas é uma aventura sobre coragem e descoberta; de conhecimento e de amizade. É já um dos filmes mais interessantes do mês e que merece, mesmo com as suas falhas, chegar a um público vasto e que precise de esboçar um sorriso e acompanhar uma história que ser ternurenta no seu núcleo.

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Título: A Grande Escavação

Título Original: The Dig

Realização: Simon Stone

Elenco: Ralph Fiennes, Carey Mulligan, Danny Webb, Archie Barnes, Robert Wilfort, James Dryden, Paul Ready, Joe Hurst, Peter McDonald, Monica Dolan, Johnny Flynn, Ken Stott, Ben Chaplin, Lily James.

Duração: 112 min.

Trailer | The Dig

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