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Crítica: The Great Mouse Detective (1986)

PODE CONTER SPOILERS DE THE GREAT MOUSE DETECTIVE!!!

Já é mais que certo e sabido que a Disney é uma das rainhas do cinema de animação, desde os seus inícios com Snow White and the Seven Dwarves até à era moderna, dominada pela animação digital. Mesmo assim, pelo meio, o estúdio de animação foi atirando algumas obras que, ora por falta de atenção ou por não terem base em obras literárias conhecidas da camada mais infantil, não receberam o apreço devido (ainda que se tenham vindo a “vingar” mais tarde, com estatutos de culto mais que merecidos). E uma destas “pérolas” é este The Great Mouse Detective.

Neste filme, Olivia Flaversham é uma jovem menina que vive com o seu pai Hiram, um humilde construtor de bonecos. Quando Hiram é raptado, Olivia “contrata” os serviços de Basil de Baker Street, considerados por muitos da sua espécie como o Grande Mestre dos Detetives.

The Great Mouse Detective Crítica de Cinema

A seu favor, The Great Mouse Detective representa uma veia diferente do que a Disney nos tem vindo a proporcionar anos antes. O estúdio não é estranho em trazer adaptações de contos infantis, mas a Era de Bronze (iniciada nos anos 60 e culminando em 1989 com o lançamento de The Little Mermaid) apresentou todo um leque de riscos com o âmbito de trazer algo diferente. E sim, este filme é claramente diferente.

Ao invés de se basear em inúmeros trabalhos de autores como os Irmãos Grimm ou Hans Christian AndersenThe Great Mouse Detective busca inspiração direta dos contos de Sherlock Holmes, fruto da imaginação do autor Sir Arthur Conan Doyle. Esta escolha, por si só, já é arrojada, visto serem contos que dificilmente contaríamos para as crianças. Dito isto, a Disney consegue aqui a proeza de se manter fiél ao espírito do material de origem, ao mesmo tempo que consegue captar a atenção dos mais jovens. A escolha de centrar a atenção em animais maioritariamente antropomórficos pode deixar uma pulga atrás da orelha, mas acaba por funcionar como uma espécie de compromisso entre os dois objetivos do filme. Também não magoa que os eventos aqui retratados tomam lugar numa espécie de pseudo-sociedade londrina, em paralelo com o “mundo real”.

The Great Mouse Detective Crítica de Cinema

Uma das maiores forças da Disney é que os seus filmes, na sua grande maioria, consegue resistir ao teste do tempo, independentemente do ano de lançamento. E em pleno século XXI, The Great Mouse Detective mantém o mesmo nível de qualidade, mesmo que já se tenham passado quase 40 anos. O filme apresenta-nos uma Londres em plena era vitoriana, com o típico mau tempo, as ruas encalcetadas, carroças, lamparinas e afins. No entanto, este é um mundo pequeno (literalmente), e o filme, quando passa à ação, apresenta alguns momentos verdadeiramente criativos, especialmente quando repensamos nas várias sequências de perseguição que o filme nos apresenta.

Considerando que se trata de uma adaptação de uma propriedade já conhecida, o tratamento dos personagens análogos torna-se, atualmente, num ponto de escrutínio. E existem três personagens dos livros que aqui ganham nova “vida”: Basil de Baker Street (Sherlock Holmes), Doutor David Q. Dawson (Doutor John Watson) e Professor Ratigan (Professor Moriarty). Estas versões acabam por estar mais ligadas ao Sherlock Holmes de antigamente do que na míriade de versões modernas que podemos ver atualmente, mas nem isso é mau de todo. Vermos Basil a incarnar as singularidades de Sherlock, enquanto Dawson, tal como Watson, fica em choque, é uma verdadeira diversão. Já Ratigan pode não cumprir com os critérios de “um bom vilão moderno”, muito menos manter-se no mesmo grupo restritos de vilões icónicos, mas é deliciosamente carismático do início ao fim.

The Great Mouse Detective Crítica de Cinema

A história do filme é, no mínimo, favorável. No sentido de não ser exatamente algo de extraordinário ou imprevisível (a maioria dos filmes da Disney de antigamente podem ser vistos dessa forma), mas pelo menos dá a conhecer um pouco de Sherlock Holmes para os mais novos através de ratos e animais que interagem como seres humanos. E também consegue entreter, ainda que tenha alguns momentos que mostram precisamente que, por mais eternas que as técnicas de animação possam ser, The Great Mouse Detective é claramente um produto narrativo do tempo em que este foi lançado.

Mas isso não signfica que o filme seja impossível de ver; muito pelo contrário. Para os saudosistas que procuram reviver as memórias de uma infância já longínqua, The Great Mouse Detective é um prazer subjetivamente de rápido consumo, já para não falar de dar mais um pretexto nesta quarentena de nos sentarmos no sofá com os mais novos e apreciar um pouco de tempo em família. Não é extraordinário, mas acaba por ser bem melhor do que possam pensar de início.

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Título: Rato Basílio, o Grande Mestre dos Detetives

Título Original: The Great Mouse Detective

Realização: Ron Clements, Burny Mattinson, David Michener, John Musker

Elenco: Vincent Price, Barrie Ingham, Val Bettin, Susanne Pollatschek, Candy Candido, Diana Chesney, Eve Brenner, Alan Young

Duração: 74 minutos

Trailer | The Great Mouse Detective

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