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Crítica: No Man’s Land (2021)

No Man's Land Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE NO MAN’S LAND!

Há filmes inevitavelmente controversos. Quando há a possibilidade de se aventurarem por caminhos que desafiam os conceitos sociais de hoje que podem ser mal interpretados consoante a claridade de exposição da sua mensagem, certos filmes podem gerar conflitos entre crítica e público. No Man’s Land é um desses casos, que se foca em Jackson Greer, um jovem texano e dedicado ao rancho da sua família, que acidentalmente mata uma criança mexicana que é imigrante ilegal. Numa tentativa de não ser capturado pelas autoridades, Jackson atravessa o deserto apelidado de “terra de nenhum homem” para chegar ao México onde se começa a integrar com a comunidade que foi sempre incitado a odiar.

No Man's Land Critica de Cinema

No Man’s Land é uma história de redenção e que tem boas intenções. É um filme que mistura elementos de difícil digestão, já que se acaba por enaltecer um pouco com a jornada de um jovem que comete um crime sem precedentes e que acaba por “vangloriar” de certa forma o privilégio caucasiano. Indiscutivelmente, este é o primeiro julgamento crítico que sou forçado a fazer a No Man’s Land. Se o filme não fosse tão longo e procurasse tão desalmadamente uma motivação que faça com que o espectador crie empatia com Jackson e pela sua atitude covarde e egoísta, talvez não tivesse que fazer este juízo de valor sobre o mesmo. A verdade é que No Man’s Land acaba por seguir as “aventuras” desta personagem que é moralmente problemática e o filme não nos poupa a tentar aliciar-nos a torcer pelo mesmo. Claro que há elementos que fazem com que o acidente esteja sempre presente na mente do protagonista e vai atormentando-o e levando-o a questionar os seus valores morais e isso acaba por defletir uma consciência do realizador Conor Allyn em conduzir o público a não pensar que “o que está errado ficou esquecido”. Mas até que ponto é isso suficiente?

No Man’s Land acaba por ser demasiado longo sem necessidade e quando Jackson chega ao México, o filme começa a entrar em clichés desnecessários e a prolongar um desfecho previsível e que põe em causa aquilo em que o público, em geral, acredita. Mesmo que Jake Allyn, irmão do realizador e argumentista do filme, seja bem intencionado, há todo um conjunto de aspetos que não funcionam a longo prazo em No Man’s Land. As personagens secundárias são descartáveis na sua maioria e as prestações de Frank Grillo e Andie MacDowell não têm força suficiente para nos fazer criar empatia pelas mesmas. Mas há que dar mérito a Allyn e à forma como trabalha a sua personagem principal, fazendo com que o espectador fique a conhecer o impacto e as consequências das suas atitudes perante a vida que leva.

No Man's Land Critica de Cinema

A banda-sonora, que é extremamente boa, não consegue salvar os momentos dramáticos do filme porque os clichés já estão demasiado enraizados e perde-se a força da sua aplicação neles. A direção de fotografia é também competente e camaleónica, mas todos estes elementos técnicos não conseguem salvar No Man’s Land da mediocridade. O público que quiser investir o seu tempo a ver este exercício de cinema vai ter reações inevitavelmente ambíguas e ou vai sentir-se provocado ou agraciado por uma aventura que é moralmente complexa e que não tem bem noção daquilo que tem mãos. Se tivesse, o resultado seria bastante diferente. Ainda assim, No Man’s Land acaba por entreter e ter algumas características porreiras que também não podem, nem devem, ser ignoradas.

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Título: No Man’s Land

Título Original: No Man’s Land

Realização: Conor Allyn

Elenco: Jake Allyn, Frank Grillo, Jorge A. Jimenez, Andie MacDowell, George Lopez, Alex MacNicoll, Esmeralda Pimentel, Ofelia Medina.

Duração: 115 min.

Trailer | No Man’s Land

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