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Crítica: Lake Mungo (2008)

Lake Mungo Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE LAKE MUNGO!

Apelidado de um dos filmes de terror mais assustadores de sempre pelos críticos, Lake Mungo é um íman de curiosidade inigualável. Esta é a história filmada como se se tratasse de um documentário de uma família que está a sofrer com a súbita morte da sua filha adolescente Alice Palmer, que aparentemente se afogou nas águas de uma reserva no lago Mungo, na Austrália, enquanto nadava com o seu irmão. Mas parece que estranhos eventos fantasmagóricos parecem indicar que a presença de Alice ainda atormenta os seus pais e irmão. Escrito e realizado por Joel Anderson, Lake Mungo é um filme australiano de terror que tem alguns aspetos interessantes, mas de longe ser um filme tão assustador quanto a crítica pinta.

Lake Mungo Critica de Cinema

A estrutura de Lake Mungo é bastante apelativa, já que combina um estilo totalmente focado no documentário, com entrevistas aparentemente amadoras, imagens de arquivo constantes e um visual muito inteligente à lá Paranormal Activity que resulta para nos deixar envoltos no seu mistério. Anderson recruta atores que improvisam os seus diálogos e monólogos em frente à câmara, numa jogada arriscada para atribuir mais veracidade àquilo que é relatado. Para além disto, é notória a adoração do realizador por David Lynch e as semelhanças com Twin Peaks brotam de todos os poros, desde o nome da falecida Alice Palmer (Laura Palmer, anyone?) e a alegre vivência no bairro onde Alice vivia, que é uma homenagem sentida a esta série de culto. Mas Lake Mungo não tem propriamente nada de assustador em si.

É quase como um devaneio artístico que tem o seu mérito, sem dúvida, mas peca por não criar clima de tensão e de utilizar as suas imagens como mote de mistério que não suscitam a nossa empatia em nenhuma parte da sua duração. Tal como Laura Palmer, Alice tem um background desconhecido que vai sendo revelado no segundo ato do filme e, por muito interessante que este seja, não consegue fazer com que o espectador se sinta investido na mensagem que pretende ser transmitida. O estilo jornalístico (Lake Mungo aproxima-se mais em estilo de uma reportagem adulterada da CMTV) assenta bem, mas não é suficiente para criar este clima de medo e de que a qualquer momento algo vai acontecer tão necessário. É uma pena que Lake Mungo não consiga aprofundar a sua história e adaptá-lo ao seu estilo icónico e às homenagens porreiras que tem na sua estrutura.

Lake Mungo Critica de Cinema

Portanto, Lake Mungo tem alguns atributos interessantes, mas não é um filme de terror que consiga conquistar por não apostar mais numa tensão que suscite medo ou receio. É respeitável, mas é um exemplo de que a crítica por vezes se deixa levar por alguns aspetos mais criativos da representação artística, mais do que a essência da sua história e de provocar um sentimento puro e genuíno no público que o visualiza.

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Título: Lago Mungo

Título Original: Lake Mungo

Realização: Joel Anderson

Elenco: Rosie Traynor, David Pledger, Martin Sharpe, Talia Zucker.

Duração: 89 min.

Trailer | Lake Mungo

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