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Crítica: Breaking Fast (2020)

Breaking Fast Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BREAKING FAST!

É tão triste quando a sociedade se revolta com o cinema progressivo e que permite que as minorias consigam ter um pouco de alento dos tormentos que sofreram ou sofrem. Breaking Fast está classificado no IMdB com 4/10 e é absolutamente inadmissível. Este é uma comédia romântica LGBTQ+ escrita e realizada por Mike Mosallam e é uma obra tão adorável, tão significativa e tão refrescante que enfia quase todos os restantes filmes com esta temática num bolso. Mo é um muçulmano dedicado à sua fé e a sua vida muda quando enfrenta uma rutura amorosa complicada com o seu companheiro que tem receio de se assumir perante a família conservadora. Mo, numa festa, conhece um americano charmoso e encantador de nome Kal com quem começa a desenvolver uma amizade próxima e por quem, inevitavelmente, se começa a apaixonar. Kal entra neste mundo algo cerrado de Mo, que está na época do Ramadão, e não pode deixar-se levar pelos seus impulsos mais óbvios, o que coloca a teste esta sua nova relação.

Breaking Fast Critica de Cinema

Breaking Fast é absolutamente imperdível. Uma comédia equilibrada que faz um estudo aprofundado das suas personagens e que tira proveito de uma química especial entre os atores Haaz Sleiman e Michael Cassidy. É um filme que coloca questões pertinentes e, não só se foca a nível sexual, como também no campo religioso e cultural. É um feel good movie que tem características maravilhosas e que atribuem às suas personagens camadas de valores e personalidades distintos. Tem os elementos certos, na dose certa, e contribui para um abrir de mentalidades através da naturalidade com que aborda as suas temáticas. Por muito que o género não seja propriamente inovador, porque não é, Breaking Fast consegue criar momentos de comédia subtis e que são enriquecidos pelas prestações maravilhosas dos seus atores.

Mosallam também não negligencia as personagens secundárias mais relevantes e o melhor amigo de Mo, Sam, interpretado por Amin El Gamal, não é reduzido ao mero cliché de amigo incentivador ou de piadas fáceis como a maioria dos filmes do género tem tendência a abafar. É tão relevante quanto os próprios protagonistas e esse é o maior trunfo que Breaking Fast tem debaixo da sua manga. Não é só um romance vulgar, porque trata de temáticas sensíveis a uma cultura e despe-as perante uma sociedade que se recusa a aceitá-las. Não me admira agora a classificação horrenda que o filme recebeu no maior site de cinema e televisão do mundo. Não se deixem enganar por estes valores conservadores e retrógrados porque Breaking Fast é um filme que agrada a todos pela doçura das suas personagens e pela língua afiada em abordar uma temática tão sensível como o islamismo. Isto não o torna um produto mau, apenas corajoso em fazê-lo.

Breaking Fast Critica de Cinema

Vivemos numa época em que os filmes LGBTQ+ estão a aumentar e a trazer histórias cada vez mais cativantes. Mas melhor do que não tomar riscos é, de facto, fazer cinema que questione os valores que aprisionam esta comunidade e a faz sentir-se renegada e não aceite no seu meio cultural. Com dois atores principais fabulosos e carismáticos, Breaking Fast é a comédia romântica deste início do ano que, mesmo não sendo uma obra totalmente original, tem o coração e os valores no sítio certo e irá encantar todos, tenham a orientação sexual que tenham. É uma oportunidade única, leve e prazerosa de abrir mentalidades e de apreciar que o amor vai para além de religião, cultura, orientação sexual e conservadorismo.

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Título: Breaking Fast

Título Original: Breaking Fast

Realização: Mike Mosallam

Elenco: Haaz Sleiman, Michael Cassidy, Amin El Gamal, Patrick Sabongui, Christopher J. Hanke, Rula Gardenier, Veronica Cartwright.

Duração: 92 min.

Trailer | Breaking Fast

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