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Fate: The Winx Saga – Season Finale – 1ª Temporada

Fate: The Winx Saga season finale

PODE CONTER SPOILERS DE FATE: THE WINX SAGA!!!

Durante os primeiros anos do século XXI, o mundo foi tomado de assalto por Winx Club. Apesar de ser uma produção italiana da RAI, a série conheceu um maior sucesso quando foi importado para outros mercados internacionais (nos Estados Unidos, a Nickelodeon foi uma das distribuidoras; em Portugal, os canais temáticos, mais a RTP, foram os responsáveis). A série, em si, não era nada de especial, mas na época, fomentou o fascínio de muitas crianças e pré-adolescentes (se não for por causa da série, ao menos que seja pelo merchandising constante). Dada a sua popularidade, a Netflix decidiu investir num reboot em live-action. E assim nasceu este Fate: The Winx Saga.

Tal como a série animada, Fate centra-se em Bloom (Abigail Cowen), uma adolescente que, ao descobrir que é, na verdade, uma Fada do Fogo, inscreve-se na Alfea, uma escola onde Fadas e Especialistas melhoram as suas capacidades. No entanto, o que podia ser um ano letivo “normal” torna-se num pesadelo quando ameaças começam a marcar presença, especialmente quando estes revelam estar ligados ao misterioso passado de Bloom.

Fate: The Winx Saga season finale

O MELHOR:

Fate: The Winx Saga pode ser uma das piores apostas televisivas do ano, mas ainda possui alguns pontos que trabalham a seu favor.

E um desses elementos é, precisamente, o seu espaço cénico. Tendo sido filmada completamente on site na Irlanda, é fácil deixar-mo-nos seduzir pelos encantos da região, dando uma espécie de aura mágica já por si característica. Tem o seu charme, e o seu misticismo, e assim, torna-se num espaço ideal para filmar uma série de fantasia orientada para jovens adultos.

Outro ponto bem assente reside no quintento central da série. Embora esta questão esteja envolta em controvérsia (especificamente no que refere a whitewashing de um par de personagens e a relegação de uma personagem de cor), não deixa de presentear com algumas ideias interessantes. E a série apresenta-nos dois bons exemplos disso. Temos Terra (Eliot Salt), uma Fada da Terra que tenta encontrar a sua auto-estima apesar do seu peso, e Stella (Hannah van der Westhuysen), uma Fada de Luz que, devido ao seu estatuto como Princesa, tem de se mostrar fria e arrogante. Estes são apenas os melhores exemplos que a série nos pode oferecer de character development com ramificações para o mundo real.

Fate: The Winx Saga season finale

O PIOR:

Infelizmente, Fate: The Winx Saga é um produto que nem mesmo os fãs de Winx Club conseguirão reconhecer.

Tal como Riverdale já tem vindo a provar temporada após temporada, transformar uma obra com toques infantis numa série em que corpos semi-nus, sexo e rock n’ roll são o Pão Nosso de Cada Dia é uma má ideia. E é isso mesmo que Fate oferece. Em retrospetiva, não chega a ser muito surpreendente, visto que Brian Youngque trabalhou nas séries The Vampire DiariesLegacies, serve como showrunner da série. Mas não deixa de ser um desvio completo do “charme” da série original.

Existe também uma tentativa de transformar o mundo das Winx numa espécie de pseudo-Harry Pottermas os resultados são claramente desastrosos, uma vez que não consegue encontrar aquele equilíbrio entre uma história de vida estudantil e uma temática misteriosa. Podia-se apontar o dedo ao facto de a série ter apenas seis episódios nesta temporada, mas nada justifica esse problema de falta de equilíbrio entre tons.

Fate: The Winx Saga season finale

A escrita da série também se revela como um dos grandes problemas que Fate: The Winx Saga não consegue resolver ou contornar. Existe uma clara familiaridade dentro deste projeto, já que projetos mais ambiciosos conseguiram arrancar o efeito que a série procurava com maior sucesso. Mas não se fica apenas pela narrativa penosa, já que também encontramos falhas em linhas de diálogos ora demasiado preguiçosas ora recheada de obscenidades.

Até a maior parte das personagens também deixam a desejar. Felizmente, a série encontrou algo de relevo para personagens como Stella ou Terra, ainda que sejam personagens secundárias. Infelizmente, o resto deixa a desejar. O elenco masculino, na sua maioria, é tão básico como um pão sem sal, servindo mais de eye candy do que personagens como deve ser. Ainda assim, nem mesmo estes desiludem tanto como a própria Bloom, com Cowen a apresentar uma performance infantil, com as suas motivações singulares a não conseguirem tecer o mínimo de relacionamento da audiência com a personagem. Pior ainda é o tratamento de Aisha (Precious Mustapha), uma Fada da Água que fica relegada mais para o pano de fundo do que ter algo de interessante para adicionar à narrativa. É uma Token Character, no fim e ao cabo.

Fate: The Winx Saga season finale

Ao longo dos anos, tem sido mais fácil identificar um ou outro projeto superficial, sem nada de interessante para adicionar à nossa experiência. E Fate: The Winx Saga cumpre com isso mesmo: é uma série desnecessária que assenta a sua esperança numa série animada que, infelizmente, não envelheceu tão bem quanto se possa imaginar. Com uma escrita terrível e um elenco desperdiçado, só se salva por alguns momentos e pelas paisagens irlandesas constantes. Mesmo assim, é uma série a evitar a todo o custo.

Resta esperar para ser se a série terá direito a uma renovação. Até lá, podem ler outras Mini-Reviews aqui.

Estado da série: STAND-BY

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Average Rating

Fate: The Winx Saga tem alguns momentos que trabalham a seu favor, mas no geral, não deixa de ser uma entrada paupérrima no catálogo da Netflix. Não possui charme, muito menos carisma, é previsível e mesmo a sua mitologia não tem o tempo necessário para ser digerida como deve ser.

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