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Crítica: Brothers by Blood (2020)

Brothers by Blood Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BROTHERS BY BLOOD!

A máfia foi sempre um dos temas mais cobiçados (e, por conseguinte, elogiados) de todo o mundo. São raros os mestres que conseguem retirar o melhor proveito deste mundo repleto de traições, morte e dinheiro. Brothers by Blood acompanha a história de dois irmãos, Peter e Michael que são os manda-chuvas da máfia do estado de Filadélfia, nos Estados Unidos. Em devaneios egocêntricos e em relações familiares difíceis, estes dois irmãos precisam de meter Bono, outro líder mafioso, no seu lugar. Este é um exercício realizado pelo francês Jérémie Guez e é uma adaptação do romance de Peter Dexter.

Brothers by Blood Critica de Cinema

Brothers by Blood é aquele filme que procura agradar aos espetadores pelos seus diálogos e atores competentes, mas falha redondamente em captar a mística e essência da máfia a todos os níveis. É um registo que só prima pelo seu talentoso elenco porque, de conteúdo, é completamente vazio. A linha de história é tão incoerente e tão desprovida de acontecimentos relevantes, que é impossível o espectador não se questionar sobre qual é a mensagem do próprio filme. É um display de talento que é desperdiçado sem qualquer tipo de resposta. Das duas uma: ou o livro de Peter Dexter é mau o suficiente e a adaptação, por conseguinte, é também má, ou então o filme não faz justiça (nem perto disso) à essência do próprio livro. Seja qual for a opção correta e, como nunca estive familiarizado com o material de origem, Brothers by Blood é um filme sem qualquer nexo, sem qualquer evidência de um estudo feito ao género cinematográfico em que se insere e é um colossal desperdício do nosso tempo.

As personagens só são engrandecidas pelo talento de Matthias Schoenaerts, Joel Kinnaman, Ryan Phillippe e Paul Schneider, porque são desprovidas de qualquer contexto ou de camadas significativas que nos façam nutrir algum tipo de empatia. Parece que estamos no primeiro parágrafo de um livro e nunca chegamos à parte mais suculenta do seu núcleo, e ficamos completamente augados por algo que nunca chega. É estranho ter que analisar algo que é tão disperso e tão pouco motivador… A banda-sonora ainda se esforça para tornar momentos dramáticos intensos que nunca ficamos bem a perceber o porquê de serem tão dramáticos. A técnica mosaico, especialmente na parte de Ryan Phillippe não chega a conclusão nenhuma e Brothers by Blood torna-se um exercício que nos faz uma certa comichão por não ser credível e direto na mensagem que pretende transmitir.

Brothers by Blood Critica de Cinema
Matthias Schoenaerts appears in a still from “Brothers by Blood.” The film, directed by Jérémie Guez premieres in select theaters and on demand Friday, Jan. 22.

Jérémie Guez utiliza alguns diálogos interessantes e que, de alguma forma, nos fazem entender um pouco o propósito das personagens principais, ainda que seja tudo abordado superficialmente. Brothers by Blood é um exemplo frustrante de como a máfia continua a não ser explorada da melhor forma por alguns cineastas que não entendem o seu significado nem em como tornar a sua narrativa apetecível ao público que tanto aprecia este género. Portanto, afastem-se deste Brothers by Blood que é um filme oco, baço e sem grande forma de vida a não ser pelos seus atores magníficos que tiveram aqui um momento de carreira desperdiçado.

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Título: Irmãos de Sangue

Título Original: Brothers by Blood

Realização: Jérémie Guez

Elenco: Matthias Schoenaerts, Joel Kinnaman, Maika Monroe, Paul Schneider, Nicholas Crovetti, Ryan Phillippe, Felix Scott, Antoni Corone.

Duração: 90 min.

Trailer | Brothers by Blood

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