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Crítica: Baby Done (2020)

Baby Done Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BABY DONE!

Proveniente da Nova Zelândia, Baby Done é uma comédia que se foca em Zoe, uma aventureira e um espírito livre, que descobre que está grávida do seu companheiro de longa data Tim. Enquanto que Tim se prepara incansavelmente para assumir a paternidade da sua criança, já Zoe está relutante em saber o que quer para a sua vida, levando-a a querer continuar normalmente com a sua vida e ignorar o facto de estar grávida. Baby Done é uma comédia adorável, que age como uma rampa de lançamento para Rose Matafeo e traz um recuperado Matthew Lewis, que vimos recentemente em All Creatures Great and Small.

Baby Done Critica de Cinema

Baby Done é uma comédia com um foco genuíno e trabalha as suas personagens principais com carisma e charme, onde o espectador tem sempre onde depositar, quer as suas frustrações, quer as suas alegrias. É um exercício singelo, com um humor muito subtil e que conquista até determinado ponto, ganhando proveito dos seus dois talentosos atores. No entanto, há todo um trabalho que ficou por fazer em elevar esta comédia a algo bem melhor do que o que apresenta. É agradável, sem dúvida, mas não traz nada de significativamente novo para o grande ecrã, caindo numa mediocridade que chateia mais do que encanta na verdade.

Apesar de Matafeo ser uma líder fabulosa, Baby Done necessitava de um argumento mais elaborado para puxar ainda mais pelo seu talento performativo e, mais importante ainda, pela sua via cómica. A doçura da sua temática e alguns momentos, que nos fazem esboçar uns sorrisos, surtem efeito, mas é um efeito que facilmente se desvanece num filme que é demasiado simples na sua abordagem. Por norma sou adepto de simplicidade, mas Baby Done é demasiado superficial no seu geral e precisava de algo mais substancial para tornar-se ainda mais divertido e tocante. Ainda que em doses equilibradas, Baby Done tem alguns receios em exceder-se e “azedar” um pouco as suas personagens principais e era exatamente isso que o filme precisava para brilhar. Por muito bons os atores e por muito engraçado que seja o desenvolvimento das suas personagens, elas acabam por estagnar e por não terem camadas envolventes suficientes para nos agarrar do início ao fim.

Baby Done Critica de Cinema

Tomar riscos por vezes é necessário, especialmente quando o cinema se mostra retraído em chocar, seja por medo das mentes criativas, pressão do estúdio, ou pelo público-alvo que pretende ser mais jovem. É legítima esta linha de pensamento, mas é precisamente isto que o público jovem precisa e quer: algo fresco, que não tenha medo de chocar, ou de personagens duras mas hilariantes, com camadas bipolares nas suas atitudes porque, de facto, é isso que Baby Done precisava para sair da mediocridade em que se inseriu. É um exercício que podia ter ido mais além e que se fica por algo banal que já vimos muitas vezes. No entanto, há que dar mérito aos seus protagonistas que se esforçam o melhor que conseguem com o material que lhes é dado.

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Título: À Espera de Bebé

Título Original: Baby Done

Realização: Curtis Vowell

Elenco: Rose Matafeo, Matthew Lewis, Emily Barclay, Rachel House, Nic Sampson.

Duração: 91 min.

Trailer | Baby Done

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