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Crítica: Miss Juneteenth (2020)

Miss Juneteenth Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE MISS JUNETEENTH!

Turquoise Jones é uma mãe solteira que está a passar por dificuldades para segurar o seu forte: cuidar da sua filha adolescente rebelde, pagar as contas, e tomar conta do negócio de um restaurante de barbecue. Em 2004, Turq venceu o concurso de beleza Miss Juneteenth, que celebra o fim da escravatura no estado do Texas, e agora esta mãe vê a oportunidade da sua filha repetir a proeza, ainda que a mesma não esteja propriamente cativada por tal feito. Miss Juneteenth é escrito e realizado por Channing Godfrey Peoples e é um drama que conta com uma prestação fabulosa de Nicole Beharie, ainda que não seja propriamente nada de extraordinário.

Miss Juneteenth Critica de Cinema

Miss Juneteenth tinha a obrigação de ser muito mais do que entrega ao público, já que joga com várias temáticas dramáticas interessantes, mas que nunca acaba por ter um clímax que nos deixe totalmente satisfeitos. Apesar das prestações geniais, uma canção final assombrosa e alguns momentos porreiros, é um filme muito banal, que não sabe fazer uso do potencial que tem armazenado em si. As nuances dramáticas, em geral, funcionam até certo ponto, já que os eventos não fazem com que Beharie brilhe ainda mais. Com as suas raízes históricas, Miss Juneteenth podia muito bem reforçar o seu mote precioso e incutir algumas arestas que dessem ainda mais “momentum” à sua história e que, por conseguinte, fizesse mais justiça perante a sua protagonista.

O facto de o filme optar por uma abordagem mais cliché da sua história acaba por não trazer nada de propriamente refrescante para o público, caindo numa mediocridade já conhecida de muitos filmes do género. Beharie é altamente carismática e a sua vitória nos Gotham Awards por elevar o seu burburinho nos Óscares, ainda que Miss Juneteenth tenha, de alguma forma, negligenciado o seu potencial em mãos. O argumento, por muito agradável que seja, acaba por ser genérico e de não cativar a atenção do espectador por não colocar ambas as protagonistas em situações mais delicadas e daquilo que é verdadeiramente importante para as mesmas. O título de Miss Juneteenth e a coroa que o consagra, tem um significado antagónico, quer para Turq, quer para Kai, e o filme não explora isto com profundidade, já que Turq passou por muito mais dificuldades na sua altura em conseguir alcançar esta tão cobiçada honra.

Miss Juneteenth Critica de Cinema

É pena que Miss Juneteenth não seja aquele filme que ambicionava ser. Tinha tanto para se tornar memorável e inspirar milhares de jovens que procuram uma celebração para o fim da tortura por que o seu povo passou, mas acaba por ser tão comum e vulgar que acaba por ser, de facto, uma desilusão. Ainda assim, é a rampa de lançamento que Nicole Beharie precisava para começar a abrir os olhos aos grandes estúdios. Já em Sleepy Hollow a atriz revelou um potencial notório e é quase insultuoso que ainda permaneça nas sombras. Esperemos que, a partir de agora, o seu reconhecimento comece a ser notado por uma maior quantidade de pessoas.

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Título: Miss Juneteenth

Título Original: Miss Juneteenth

Realização: Channing Godfrey Peoples

Elenco: Nicole Beharie, Kendrick Sampson, Alexis Chikaeze, Lori Hayes, Marcus M. Mauldin, Liz Mikel, Akron Watson.

Duração: 99 min.

Trailer | Miss Juneteenth

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