Cinema Críticas

Crítica: The Cleansing Hour (2019)

The Cleansing Hour Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE THE CLEANSING HOUR!

O cinema de terror tem vindo a piorar gradualmente nos últimos anos. As produções que nos chegam ficam, geralmente, muito aquém do esperado e The Cleansing Hour mantém essa tradição. É um filme com um conceito interessante, mas que é muito mal aproveitado por ter um realizador demasiado ambicioso e que pretende alcançar um estatuto à força toda. The Cleansing Hour é o nome de um programa filmado ao vivo que mente aos seus fãs ao mencionar que o que estão a ver são exorcismos reais. A estrela, um carismático ator de nome Max, anseia por ter imensos seguidores nas redes sociais e o seu melhor amigo, que realiza e produz o programa, Drew, quer elevar a fasquia para cativar mais pessoas de todo o mundo. O problema? Quando menos esperam, parece que um demónio real toma posse do corpo da namorada de um dos membros e começa a jogar em direto com as psiques dos protagonistas e a espalhar o caos pelo set de filmagem.

The Cleansing Hour Critica de Cinema

 

The Cleansing Hour é um filme tão ridículo que até me dá um mini ataque de nervos só de pensar nele. A verdade é que alguns jump scares surtem efeito, e a temática não é assim tão ridícula quanto parece, não fosse Damien LeVeck um daqueles autores que quer impressionar mais do que realmente contar uma boa história assustadora. O filme acaba por não conseguir levar-se a sério e cai num abismo satírico que compromete todo o nosso envolvimento. É uma pena, já que os visuais (na sua maioria atenção) até acabam por surtir efeito nalgumas sequências. Mas The Cleansing Hour é tão mau quanto os mentirosos dos seus protagonistas. É um filme que, em vez de primar pela simplicidade, e procurar ser um pouco mais credível na sua história, por si só, já lunática, decide tornar o demónio numa personagem que ainda se dá ao trabalho de perder tempo com seres humanos desprezíveis como que os que controlam o programa. Para isso bastava aniquilá-los para nos poupar a uma hora e meia de frustração.

The Cleansing Hour faz um mau aproveitamento das personagens e ridiculariza-as ao ponto de serem intoleráveis. E, como já é característico, a falta de recursos é óbvia em vários registos e os efeitos visuais tornam-se pouco convincentes. No entanto, há algo pior, e o último ato é a prova de que este cineasta procura desalmadamente um estatuto blockbusteriano que simplesmente não assenta, procurando tornar isto num franchise pobre e sem substância. Esta abordagem millennial dos exorcismos acaba por fraquejar a todos os níveis e, em vez de nos surpreender com a simplicidade que assentava de forma genial neste conceito, prefere ir ainda mais além, entrando por caminhos pouco viáveis na execução.

The Cleansing Hour Critica de Cinema

Portanto, não desperdicem o vosso tempo com esta premissa mal abordada e revejam o The Exorcist que continua a ser uma obra gigantesca do cinema de terror deste género em particular. The Cleansing Hour é terror na sua mais pura das formas: um filme que tem mais mania do que mensagem a entregar. Este tipo de cinema pretensioso é aquilo que se infiltra mais no meu sistema nervoso que qualquer outro tipo… porque não sabe aproveitar o seu conceito e entra numa rampa de um impressionismo sem alma e sem força; procura um estatuto que, de facto, não tem atributos suficientes para o alcançar.

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Título: A Hora do Exorcismo

Título Original: The Cleansing Hour

Realização: Damien LeVeck

Elenco: Ryan Guzman, Kyle Gallner, Alix Angelis, Chris Lew Kum Hoi, Daniel Hoffmann-Gill, Emma Holzer.

Duração: 94 min.

Trailer | The Cleansing Hour

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