Cinema Críticas

Crítica: Assassins (2020)

Assassins Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ASSASSINS!

O cinema documental é tão importante, tão progressista em tantos aspetos que é por filmes como Assassins que continuo a ver estes realizadores como vultos históricos não só no cinema, mas na própria História da humanidade. Ryan White, que nos trouxe a série documental The Keepers, aventura-se agora numa nova conspiração: a morte do irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un. Kim Jong-nam foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, depois de ser contaminado com o veneno mais letal do mundo, VX, que alegadamente foi colocado por duas jovens que lhe cobriram o rosto durante o ato. Essas jovens, Siti e Doan, foram apreendidas quase que imediatamente mas qual é o motivo que as levou a cometer tamanho ato atroz? Quem está por trás disto tudo?

Assassins Critica de Cinema

Assassins podia parecer aquele documentário que alimenta teorias da conspiração, mas o seu grau de detalhe e de envolvimento é, por demais, realista e não dá asas para o público pensar outras e determinadas coisas. O trabalho de montagem é incrível, e o detalhe não passa aos olhos do realizador. A triste história destas duas jovens vai muito para além do assassinato de Kim Jong-nam, já que ambas as, ditas, assassinas, foram contratadas por homens misteriosos a pensar que iam fazer uma “prank” que ficaria imortalizada em vídeo e lhes garantisse o sucesso e, acima de tudo, de poderem ganhar uns bons trocos. Esta ingenuidade e, devido à sua idade jovem, força-nos imediatamente a criar uma ligação com as mesmas e quando percebemos que estamos perante uma conspiração política do mais alto nível, o jogo começa a ficar ainda mais interessante.

Apesar de Assassins ser um documentário extremamente corajoso, faltou um pouco da ousadia de obras como The Dissident para se tornar ainda mais relevante e chocante. A verdade é que estes documentários primam por irem contra o sistema de uma forma credível e a sua exposição não deixa de ser um ato perigoso, já que estamos a falar de líderes totalitários e extremamente voláteis, capazes de cometer os maiores crimes e passarem despercebidos por serem, de alguma forma, intocáveis. Assassins dá voz a estas jovens que foram apanhadas por estes manipuladores a cargo de Kim Jong-un e da sua sede de controlo e poder. A vítima, o seu meio-irmão, nunca quis tornar-se uma ameaça para a liderança do seu país, mantendo-se exilado em Macau para evitar conflitos. Mas a sua própria existência é problemática para quem pretende iniciar o seu mandato e precisa de eliminar os seus inimigos.

Assassins Critica de Cinema

Como produto informativo, Assassins é uma obra extremamente gratificante e, pelo menos, dentro de tanto aspeto que podia ir um pouco mais além, as duas jovens, uma da Indonésia e outra proveniente do Vietname, conseguiram sair em liberdade e continuarem a respirar ar puro e a fazerem as suas vidas, agora, com outro tipo de conduta e sabedoria. Conhecer a sua história é indiscutivelmente stressante e é preciso ser-se humilde e, ao mesmo tempo, corajoso, para falarem abertamente sobre o que lhes aconteceu. Assassins não é um thriller de ação, muito menos um filme que segue as convenções do cinema blockbuster, como o seu título pode sugerir. É, de facto, uma história real, repleta de dor, e que é desvendada gradualmente a um bom ritmo, dando ao expectador uma visão política muito assustadora e que o leva a entender como Kim Jong-un é um líder extremamente perigoso e calculista.

Portanto, se querem um bom true crime, Assassins irá preencher as medidas, ainda que pudesse ser ainda mais agressivo na sua abordagem e nos causasse ainda mais choque se expusesse ainda mais um pouco a crueldade e tirania que é vivida na Coreia do Norte.

Assassins Critica de Cinema

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Título: Assassinas

Título Original: Assassins

Realização: Ryan White

Duração: 104 min.

Trailer | Assassins

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