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Crítica: Spontaneous (2020)

Spontaneous Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE SPONTANEOUS!

Mara é uma adolescente cheia de vida e com uma atitude muito divertida e espontânea, mas tudo muda quando uma colega de sala explode sem mais nem menos à sua frente. Neste evento inexplicável, mais vidas são perdidas com explosões de jovens por toda a escola e, mesmo neste massacre, Mara apaixona-se por Dylan, um rapaz que não esconde as suas intenções. Mas, conseguirá este amor resistir a estas explosões? Spontaneous é um filme muito invulgar e divertido, ainda que saiba a pouco. Enquanto que o grau de mistério nunca chega a ser explicado, há toda uma metaforização da adolescência que é feita de forma sublime e é auxiliada pela prestação excelente de Katherine Langford.

Spontaneous Critica de Cinema

Realizado por Brian Duffield, Spontaneous é tudo aquilo que não esperávamos de uma comédia romântica focada no público adolescente. Este grau de originalidade confere-lhe um certo mérito próprio e que nos deixa envoltos na sua temática. Apesar de não ser fã destes romances repetitivos (e não ter ficado propriamente encantado com Charlie Plummer, que pudemos ver no recente Words on Bathroom Walls), o filme acaba por ganhar força em utilizar esta veia cómica e inexplicável para expressar a fase da adolescência como sendo uma época de explosões hormonais e de criação de personalidade adulta. Mesmo que nem sempre acerte na moeda e se perca em clichés nalgumas sequências, Spontaneous acaba por ser agradável precisamente por ter uma protagonista extremamente carismática e de ideais fixos, e por incutir esta dicotomia entre as personagens e a fase da vida em que se encontram.

Tudo é, como o título indica, espontâneo e o filme trabalha com algum carisma estas questões interessantes que foram até agora tratadas com desprezo ou de maneira estereotipada. Spontaneous pode não ser perfeito, e está muito longe disso, mas tem uma alma muito precisa e diferente. No entanto, mesmo que com estas metáforas, era necessária uma explicação para os eventos que nunca foi entregue. Se tivermos em conta que a película está constantemente a tentar explicar-se e não chega a nenhuma conclusão torna-se frustrante para o público, que fica até ao fim para tentar compreender. Claro que do ponto de vista metafórico é extremamente engraçado, porque a adolescência é algo que, de facto, não tem explicação. É todo um disparar de mentalidades, hormonas, prazeres, manias e muito mais como todos nós sabemos e que nunca tem respostas muito concretas ou coerentes.

Spontaneous Critica de Cinema

Mas claro que isto pode ser uma análise positiva e, mesmo que aprecie Spontaneous pelos seus aspetos mais positivos, tenho de reconhecer que há demasiado build-up para algo que se torna extremamente frustrante por não ser justificado. Ainda assim, e apesar de grande parte das personagens não ter o desenvolvimento que merecia, Spontaneous é uma viagem alucinante pela adolescência e conta com uma protagonista extremamente cativante e que fará a delícia de todos por ser invulgar na sua conduta. Esperemos que os próximos filmes de Duffield sejam um pouco mais esclarecedores, e que façam uma melhor combinação metafórica da próxima vez. No entanto, é, de facto, um nome a ficar debaixo de olho, já que revela uma sensibilidade interessante para compreender a fase mais complicada de todas do crescimento humano.

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Título: Espontâneo

Título Original: Spontaneous

Realização: Brian Duffield

Elenco: Katherine Langford, Charlie Plummer, Yvonne Orji, Hayley Law, Piper Perabo, Rob Huebel.

Duração: 101 min.

Trailer | Spontaneous

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