Cinema Críticas

Crítica: The Ultimate Playlist of Noise (2021)

The Ultimate Playlist of Noise

CONTÉM SPOILERS DE THE ULTIMATE PLAYLIST OF NOISE!

Não quero que me tomem como uma pessoa insensível e que não é capaz de apreciar um tearjerker, porque sou o primeiro a admitir que choro que nem um bebé mais no cinema e televisão que na vida real. O novo tearjerker da Hulu, The Ultimate Playlist of Noise certamente terá esse impacto em muitos espectadores. Não aconteceu comigo… e começo a pensar seriamente que a quantidade de filmes do género está a impedir que a experiência se torne mais envolvente. Marcus é um jovem que vive agarrado ao seu leitor de cassetes, recordando o irmão que faleceu ao salvá-lo de um incêndio. Um dia, Marcus recebe a notícia que precisa de ser operado ao cérebro e que, como consequência, perderá a sua audição. Entrando em conflito com a sua mãe preocupada, Marcus parte numa aventura até Nova Iorque e elabora uma lista de sons como a sua última experiência auditiva e encontra Wendy, uma cantora que parte também com o mesmo para uma aventura para estabelecer a sua carreira.

The Ultimate Playlist of Noise

The Ultimate Playlist of Noise tem aqueles elementos cliché de filmes do género que vimos no ano anterior com Words on Bathroom Walls, Clouds, Life in a Year, entre outros. É um exercício que não tem assim muita magia própria e que vai muito ao encontro de Nick and Norah’s Infinite Playlist. É difícil criar-se uma relação tão empática com as personagens porque o filme dramatiza demasiado as suas questões. Isto é, como se já não bastasse o drama da história principal, parece que o irmão de Marcus sofria também de bipolaridade, um aspeto adicionado tardiamente no filme para criar ainda mais efeito melodramático. A verdade é que isto não resulta e enfraquece The Ultimate Playlist of Noise tornando-o num exercício demasiado focado nessa mesma experiência dramática mais do que compreender o próprio protagonista, interpretado por Keean Johnson. Nem tudo é mau, claro, e The Ultimate Playlist of Noise tem uma banda-sonora extremamente boa, recheada de temas indie e apostando em novos talentos emergentes.

Mas de resto, é todo um registo pobre em termos de inovação do género, caindo sistematicamente nos mesmos erros de dramatizar mais do que devia. O final também acaba por não conquistar, mesmo que fuja ao cliché. Isto porque toda a construção do filme não está concebida para o entregar de uma forma tão abrupta e tão pouco sentida. Mesmo que a química entre Johnson e Madeline Brewer seja doce e ternurenta, The Ultimate Playlist of Noise fracassa em criar uma mensagem própria e afoga-se perdidamente em clichés desnecessários, repetitivos e que removem com o envolvimento do espectador que procura alguma frescura num panorama tão saturado de tearjerkers. E, para além disto, há todo um rol de personagens mal exploradas, que são mais ornamentais que funcionais, deixando a história centrar-se no seu maior problema: o melodrama.

The Ultimate Playlist of Noise

Portanto, mesmo que não consiga criar uma relação tão envolvente com as personagens, não deixo de nutrir um ligeiro apreço pelo título do próprio filme e de sentir um carinho pela maravilhosa banda-sonora do mesmo, mas não chega ao ponto de me conquistar verdadeiramente. Ainda que possa ser o serão que muitos precisam, The Ultimate Playlist of Noise é um filme banal e sem grandes novidades para entregar.

Leiam outras Críticas aqui.

Título: A Última Playlist de Barulho

Título Original: The Ultimate Playlist of Noise

Realização: Bennett Lasseter

Elenco: Keean Johnson, Madeline Brewer, Rya Kihlstedt, Ian Gomez, Bonnie Hunt, Emily Skeggs, Oliver Cooper.

Duração: 99 min.

Trailer | The Ultimate Playlist of Noise

Comments