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Crítica: Run Hide Fight (2020)

Run Hide Fight Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE RUN HIDE FIGHT!

Quando há uma colisão entre críticos e público, o cenário tende a receber certos exageros de ambas as partes. Run Hide Fight é um dos casos mais evidentes, onde a crítica prefere condenar uma película pela sua ausência de convenções políticas e tomar algo como incentivo à fuga dos direitos humanos, e por outro lado há aquela necessidade de tentar refutá-los, mesmo classificando algo como Run High Fight com 10/10. Não se deixem enganar por ambos… Run Hide Fight é um registo porreiro que retrata uma realidade a que muitos poderão ser suscetíveis, mas também não é uma obra-prima.

Run Hide Fight Critica de Cinema

Esta é a história de Zoe Hull, uma jovem que perdeu a mãe para o cancro e culpa o seu pai pela sua ausência. Zoe está a entrar numa época problemática, com todo um misto de sentimentos que a impelem a ser impulsiva e a recordar a memória da sua mãe constantemente. Num dia normal de escola, uma carrinha irrompe na cantina, e um grupo de alunos frustrados começa a assassinar a sangue frio colegas e funcionários. Run Hide Fight é o tipo de filme que contrasta com a leveza de tratamento que, por exemplo, a Netflix fez com 13 Reasons Why depois dos papás ficarem incomodados com a violência da série. Há todo um artigo que escrevi na altura sobre esta questão e Run Hide Fight é precisamente aquele exercício que refuta esta ideia de suavizar aquilo que não deve ser suavizado.

Run Hide Fight não é uma tentativa de glorificação da violência nem nada do género, tanto que os seus diálogos procuram precisamente condenar essa ideia. O grave problema é que acaba por criar um heroísmo pouco realista em detrimento do entretenimento fácil e dos clichés habituais de filmes de ação e isso destrói a sua componente mais forte. Escrito e realizado por Kyle Rankin, o filme acaba por ter momentos de tensão incríveis e não nos poupar a um nervosismo constante, ainda que os exageros atribuídos à protagonista o acabem por reduzir a algo mais medíocre. Apesar desta construção heroica desnecessária e totalmente repreensível, há todo um lado humano dela interessante, especialmente quando a sua mãe invade o seu pensamento durante algumas sequências de desespero ou adrenalina. Zoe tem muito em si e é uma personagem cativante até chegar àquele ponto em que deixa de ser humana e passa a modo Tomb Raider escusadamente. A atriz Isabel May é carismática e agarra-nos quase que instantaneamente ao seu papel, para além do vilão de serviço interpretado por Eli Brown ser também, igualmente, carismático.

Run Hide Fight Critica de Cinema

Enquanto que a construção da protagonista, mesmo com altos e baixos, a torna o foco principal da história, já Tristan Voy, o vilão, merecia o mesmo tratamento, para percebermos onde começou este trauma e esta ânsia em cometer os crimes mais hediondos na sua escola. A câmara de Rankin cria momentos excelentes e bem filmados de ação, utilizando uma simplicidade que assenta perfeitamente no contexto. É mesmo pena que Run Hide Fight não seja ainda melhor por cair nas convenções hollywoodescas mais comuns. O facto de se focar num tema sensível e torná-lo quase um blockbuster de verão é um ato de coragem para uma sociedade demasiado impressionável. A sua mensagem não é, de todo, incentivar ninguém a entrar numa escola e assassinar ninguém a sangue frio; muito pelo contrário, é alertar para que existe apoio psicológico para casos de bullying ou outra questão mais preocupante. A primeira temporada (porque como sabemos, o resto perdeu imenso por continuar) de 13 Reasons Why e Run Hide Fight são alguns casos que utilizam o seu meio cruel e que ninguém quer aceitar ou ver e cria um impacto tremendo pelo choque e pela ideia de que isto é algo possível. São temáticas delicadas e que merecem toda a nossa atenção, especialmente, se formos pais, de tentarmos perceber como se portam os nossos filhos na escola, se estão integrados na mesma e fazerem um acompanhamento o mais próximo possível da adolescência que, como já sabemos, é a época mais complicada no crescimento humano.

Portanto, Run Hide Fight é um filme de ação competente, ainda que caia em exageros desnecessários. Tem uma personagem central forte e um carismático vilão e tem uma tensão extremamente viva e capaz de vos fazer roer as unhas das mãos e dos pés. No entanto, é pena que não seja totalmente brilhante precisamente por seguir as convenções de blockbuster e preocupar-se mais com um irrealismo heroico do que fazer uma abordagem mais humana da situação.

Run Hide Fight Critica de Cinema

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Título: Foge, Esconde, Luta

Título Original: Run Hide Fight

Realização: Kyle Rankin

Elenco: Thomas Jane, Radha Mitchell, Isabel May, Eli Brown, Olly Sholotan, Trent Williams, Barbara Crampton, Cyrus Arnold.

Duração: 109 min.

Trailer | Run Hide Fight

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