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Crítica: Don’t Tell a Soul (2020)

Don't Tell a Soul Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE DON’T TELL A SOUL!

Dois irmãos roubam para ajudar a sua mãe doente e, num dos encontros, deparam-se com um segurança que os persegue pelo bosque até que cai num posso e ali fica. No entanto, o mais novo dos irmãos, Joey, fica com pena do sucedido e tenta ajudar o homem que se revela ser mais do que aparenta. Don’t Tell a Soul é um thriller prazenteiro, com atores conhecidos e com uma duração curtinha. É um serão apelativo para fazer uma sessão com os amigos por Zoom, mas tinha obrigação de explorar melhor os seus intervenientes.

Don't Tell a Soul Critica de Cinema

Num registo amador, realizado e escrito por Alex McAuley, Don’t Tell a Soul conta com prestações bastante carismáticas e surpreendentes, onde Jack Dylan Grazer continua a surpreender e onde o verdadeiro vilão é a relação atribulada entre irmãos. Rainn Wilson interpreta Hamby, o segurança que acaba por ser um dano colateral desta vida pecaminosa (e no entanto apela-nos ao sentimento por ser bem intencionada) dos dois protagonistas, e encontra aqui um dos seus melhores papéis dramáticos até à data. O facto de ser curto, faz com que Don’t Tell a Soul não fuja muito do seu rumo, o que, por um lado é bom, por outro é mau porque não explora a psicologia das personagens que, ficamos a saber, foram vítimas de um pai negligente e abusivo. A personagem de Fionn Whitehead é altamente exagerada sem contexto, deixando-nos algo perplexos com a forma como o filme o projeta sem nos dar uma justificação plausível.

Mesmo que seja um filme simples e sem grandes surpresas (o twist acaba por ser engraçado, tenho de admitir), este exercício independente acaba por ser demasiado pobre na exploração das suas poucas personagens. Limitamo-nos a ver as suas ações e o seu background fica a cargo de meras linhas de diálogo ou efeitos práticos para que possamos desvendá-las. O grande problema é que o passado de ambos os irmãos está repleto de momentos que nos fariam criar uma relação mais empática com os mesmos e, acima de qualquer outra coisa, poderia justificar e acrescentar camadas à personagem de Whitehead. Numa tentativa de se manter pela simplicidade, Don’t Tell a Soul acaba por não conseguir elevar-se a um patamar superior, ainda que tenha algumas características porreiras no desenrolar dos seus eventos.

Don't Tell a Soul Critica de Cinema

É daqueles casos onde o cinema não precisa de muitos artifícios para entreter, mas Don’t Tell a Soul tem algumas arestas que deviam ser exploradas com mais afinco e profundidade, para além de o espectador precisar de algumas respostas em torno da misteriosa personagem de Wilson. Ainda assim, é uma produção competente e tem alguns momentos que irão conquistar os fãs de thrillers de mistério que andam sequiosos por um novo.

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Título: Não Contes a Ninguém!

Título Original: Don’t Tell a Soul

Realização: Alex McAulay

Elenco: Fionn Whitehead, Jack Dylan Grazer, Mena Suvari, Rainn Wilson.

Duração: 83 min.

Trailer | Don’t Tell a Soul

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