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Crítica: Dylda (2019)

Dylda Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE DYLDA!

Estamos em plena campanha para os Óscares deste mesmo ano e este foi o ano em que as produções estrangeiras (fora dos EUA) bateram recordes de submissões. Um dos grandes favoritos é Dylda, ou Beanpole em Inglês. Dylda é proveniente da Rússia e acompanha duas amigas muito próximas, que vivem juntas, e passaram por muitas tragédias derivadas da 2ª Guerra Mundial, em Lenningrad. Ambas estão despedaçadas e Iya, que é uma mulher alta e robusta, tem ainda paragens provenientes do choque, contemplando o vazio, limitando-se a soluçar ofegantemente sem ter noção; e também ficamos a conhecer Masha, a sua fiel companheira, que procura desalmadamente ter uma criança num cenário pós-guerra muito complicado.

Dylda Critica de Cinema

Dylda recebe o seu título devido à sua protagonista de estatura alta, e a nível performativo é um filme absolutamente genial. A realização de Kantemir Balagov tira proveito de um design de produção soberbo, que traz ao espectador uma sensação de “aquecimento” num cenário de desconforto e frieza. É quase como as cores realçassem os breves momentos de paz, realçando uma esperança que parece longínqua e que pode salvar as nossas protagonistas. Embora Dylda, a meu ver, esteja muito aquém de dramas do género por não ser linear na sua abordagem, é um filme muito interessante do ponto de vista artístico. Há todo um trabalho de significados e de um reerguer-se das cinzas após tanta dor que se reflete nestes precisos momentos em que temos noção que ambas as personagens principais estão feridas e transmitem as mazelas mais assustadoras para o ecrã. Mas Dylda acaba por ceder ao charme de obras lésbicas como Portrait of a Lady on Fire e Ammonite (ainda que este tenha estreado apenas este ano) e acaba por perder um brilho muito próprio por se assimilar mais ao primeiro.

O facto de Dylda não seguir um formato linear e de se arrastar durante quase duas horas e meia extenuantes, é um filme que acaba por focar-se nalguns aspetos muito particulares do sofrimento causado pelo Holocausto, numa tentativa de enaltecer a mulher (que ficou sempre atrás em termos de protagonismo em filmes do género) e de se focar nos seus dilemas mais profundos. A verdade é que é a química entre as atrizes Viktoria Miroshnichenko e Vasilisa Perelygina que Dylda acaba por ganhar uma força dramática intensa, contribuindo para que o espectador mantenha a sua curiosidade aguçada durante quase toda a duração do filme. No entanto, isto acaba por perder carisma devido à abordagem “de caracol” que o realizador faz e o facto de nunca assentar propriamente num local confortável para deixar o espectador a entender quais são verdadeiramente os problemas que mais consomem as personagens.

Dylda Critica de Cinema

Há cenas bastante fortes e que certamente irão chocar muitos, mas são raros os momentos em que elas são justificadas com um propósito claro. Talvez este seja mesmo o seu propósito, ainda que, para mim pessoalmente, Dylda nunca procura ser algo que puxe pela nossa imaginação, mas sim pelo nosso sentimento de partilha de tanta dor que as mesmas possam sentir. Esta falta de linearidade, uma duração demasiado longa e as semelhanças óbvias com outros filmes do género, fazem com que Dylda acabe por perder muita da sua força inicial. Mas ainda assim é um filme recomendável para quem está cansado das produções norte-americanas e que precisa de algo com um charme diferente.

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Título: Dylda

Título Original: Dylda

Realização: Kantemir Balagov

Elenco: Viktoria Miroshnichenko, Vasilisa Perelygina, Andrey Bykov, Igor Shirokov, Konstantin Balakirev, Kseniya Kutepova.

Duração: 137 min.

Trailer | Dylda

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