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Crítica: I Am Woman (2019)

I Am Woman Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE I AM WOMAN!!!

Ao longo destes anos, temos vindo a testemunhar cada vez mais filmes centrados em figuras políticas, históricas ou do entretenimento que causaram alvoroço no meio da sociedade. Mais recentemente, as figuras por detrás do movimento pró-feminismo tem ganho cada vez mais fulgor, e este I Am Woman é um desses exemplos.

O filme retraça os passos de Helen Reddy, uma australiana acabada de chegar aos Estados Unidos com a ambição de se tornar numa cantora num mundo dominado pelos homens. Acompanhamos a sua jornada desde os seus inícios modestos até se tornar numa estrela, ao mesmo tempo que se estabelece, sem se dar por ela, como uma das figuras influentes por detrás do movimento durante os anos 70/80.

I Am Woman Crítica de Cinema

I Am Woman está longe de ser uma das obras essenciais do cinema ou mesmo dentro do género dos biopics musicais. Muito por se tornar um tanto ou quanto previsível e recai dentro das mesmas armadilhas do costume dentro do género. Vermos uma jovem cantora com ambições a começar de baixo, para depois erguer-se de repente, para depois cair na desgraça e ter um momento final de recuperação… Não se trata de uma obra verdadeiramente original, ao ponto de encontrarmos aqui algumas semelhanças com filmes claramente superiores.

Dito isto, o filme ganha pontos por termos um trajeto completo na jornada de Helen. Hoje em dia, podemos nem saber muito quem será esta figura, mas mesmo que a execução narrativa deixe um pouco a desejar, é a própria jornada da cantora que muitos millenials podem não conhecer tão bem que serve como ponto de partida para esta aventura. É também uma grande ajuda ver que, mesmo em eras anteriores, as mulheres batalhavam forte e feio para verem reconhecidos os seus direitos, cada uma à sua maneira. Helen pode ser a peça central do filme, mas também temos direito a outra figura influente sob a forma de Lillian Roxon, uma jornalista por detrás da primeira enciclopédia do rock n’ roll.

I Am Woman Crítica de Cinema

Dizer que I Am Woman se revela como uma verdadeira “viagem no tempo” simplesmente não lhe faz justiça. Nota-se que existe um claro carinho pelas décadas de 70 e 80, tidas por muitos como “a era dourada da música”. Desde o guarda-roupa claramente retro até aos adereços da época, com as cenas acompanhadas com uma banda-sonora compostas por músicas icónicas das respetivas décadas, existe aqui um claro cuidado ao detalhe que não passa despercebido.

E mesmo em termos interpretativos, o filme conta com alguns trunfos da manga. Evan Peters – muito provavelmente a única estrela com “poder” num elenco composto maioritariamente por caras desconhecidas – é, sem qualquer surpresa, impressionante no papel de Jeff Wald, que serviu de agente de Reddy e de tantos outros astros de Hollywood. No entanto, este é sabiamente ofuscado pela “estreante” Tilda Cobham-Hervey, que tem aqui a tarefa árdua que englobar os aspetos mais importantes da cantora. E da sua parte, acaba por sair triunfante nos seus esforços, mostrando a sua garra por lutar pelos seus desejos pessoais e profissionais, ao mesmo tempo que exibe alguns traços frágeis.

I Am Woman Crítica de Cinema

I Am Woman dificilmente poderá chamar a atenção das pessoais, e a sua narrativa não mostra exatamente algo de inédito para quem já viu biopics deste género. Posto isto, para quem quer conhecer melhor uma das ícones mais influentes do movimento pró-feminismo, então podem encontrar aqui algo de interessante.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: I Am Woman: A Voz da Mudança

Título Original: I Am Woman

Realização: Unjoo Moon

Elenco: Tilda Cobham-Hervey, Evan Peters, Danielle Macdonald, Chris Parnell

Duração: 116 minutos

Trailer | I Am Woman

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