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Crítica: Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy (2021)

Crack Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE CRACK: COCAINE, CORRUPTION & CONSPIRARY!

Primeiro filme oficial de 2021 que vejo, na plataforma da Netflix, é um breve documentário sobre a ascensão do crack e nas influências socioeconómicas que teve nos EUA. É um documentário simples, direto, com testemunhos de pessoas que estiveram envolvidas durante esta epidemia narcótica nos bairros mais degradados da América, e um que não se dispersa do seu objetivo primordial. Os documentários de arquivo têm obrigatoriamente que conquistar o público com informações frescas e diferentes de tudo o que foi feito até agora e, mesmo que Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy seja demasiado simples, é um exercício muito competente e que ilustra diferentes cenários dos anos 80 e diferentes perspetivas de quem viveu durante essa época decadente.

Crack Critica de Cinema

Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy é realizado por Stanley Nelson e revela um trabalho de arquivo minucioso e apelativo, condensando na sua duração, não a perspetiva popular, como nunca embeleza totalmente as questões mais importantes com raios de esperança. Ao invés disso, o documentário alerta que o crack é apenas uma de muitas razões para a sociedade ainda fazer associações pejorativas face à comunidade afro-americana e que o esquema “de rua” chegou a locais bem acima do esperado. Apesar de nem todos os argumentos estarem sustentados com informação mais precisa e coerente, é um registo que não procura marcar pela diferença, mas sim elucidar para uma questão que, pensamos nós, está aprisionado numa época específica da evolução social humana, mas que ainda hoje está demasiado viva em diversos contextos.

O trabalho de montagem é também a chave do sucesso de Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy, habilmente colocando imagens de arquivo e conjugando com os testemunhos reais (e recentes) de alguns dos intervenientes que contribuíram, foram vítimas ou se envolveram de alguma forma com esta ascensão desalmada desta droga tão perigosa. E Nelson sabe perfeitamente que necessita de elucidar o espectador para tudo, desde a composição do estupefaciente, passando pelo seu impacto na saúde humana, e vai gradualmente ampliando o leque para algo mais vasto e preocupante. No entanto, é pena que, por muita qualidade que Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy tenha, não consegue ser um pouco mais denso e de insistir na parte que é sempre a mais difícil de contar: quando os problemas sociais, ditos, de menor relevância, chegam àquelas pessoas que, de facto, têm mais relevância no controlo do país. Golpes de marketing? Corrupção? E esta conspiração da CIA? Serão eles os responsáveis? Vivemos numa era de respostas e não de mais perguntas e existem muitos cineastas vanguardistas como Andrew Jarecki, Bryan Fogel (que ainda há pouco vos escrevi sobre The Dissident) que não têm receios de expor os líderes máximos ao maior número de público possível.

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Falta um pouco desta coragem a este documentário, ainda que seja um exercício que entretenha do início ao fim e que possua uma composição simples e bem estruturada para nos elucidar sobre a época conturbada dos anos 80 e de como o crack passou de algo vulgar a algo preocupante. É um capítulo interessante e que envolve algumas personagens carismáticas e que dão algumas informações preciosas desconhecidas do público. Pena que se fique apenas por aí e não tente ir um pouco mais além. Ainda assim, Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy é bastante recomendável.

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Título: Crack: Cocaína, Corrupção & Conspiração

Título Original: Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy

Realização: Stanley Nelson

Duração: 89 min.

Trailer | Crack: Cocaine, Corruption & Conspiracy

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