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Crítica: Elizabeth is Missing (2019)

Elizabeth is Missing Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE ELIZABETH IS MISSING!

Quando uma veterana regressa ao ecrã numa que é possivelmente das últimas aparições que faz, é sinal que estamos perante algo, no mínimo, interessante. Elizabeth is Missing conta com uma Glenda Jackson (para quem não sabe, um ícone performativo dos anos 60 e 70, vencedora de dois Óscares da Academia) assombrosa e que interpreta Maud, uma mulher que sofre de demência, e que tenta juntar os pontos para resolver o mistério do desaparecimento da sua melhor amiga Elizabeth. É um filme curtinho mas fantástico, com aquela pitada de humor britânico genial e com uma doçura muito própria.

Elizabeth is Missing Critica de Cinema

Elizabeth is Missing é mesmo a receita perfeita para uma atriz veterana que está na iminência da reforma e que, mesmo assim, procura trazer desafios extremamente duros para a sua carreira. Glenda Jackson é um astro colossal e, nesta pequena pérola televisiva, ela brilha como nunca brilhou antes; num registo simbólico, profundo e de difícil digestão. Mesmo que Elizabeth is Missing não consiga explorar todas as suas personagens secundárias com a mesma credibilidade, é um filme que se foca inteiramente na sua protagonista e na forma como ela encara o mundo a seu redor, muitas vezes utilizando o humor como proteção. A narrativa acaba por nunca se deixar levar por melodramatismos e isso ajuda Elizabeth is Missing a não ser uma obra feita por pena, mas sim com alma. Os flashbacks de memórias que Maud vai tendo ao longo dos seus últimos anos de vida, faz com que o mistério (que, no fundo, não é mistério nenhum, mas sim um devaneio) se torne mais cativante e que nos permita entender aqueles aspetos da vida da protagonista que não são evidentes à primeira vista.

Para além disto, é sempre bom vermos que a doença nem sempre é tratada meramente como uma doença e os esforços da família de Maud são notórios em deixá-la confortável e alinham com regularidade nos devaneios da mesma. Esta doçura acaba por fazer com que Elizabeth is Missing seja uma obra quase completa, mesmo sendo um filme de curta duração. É mesmo pena é que as personagens secundárias não tenham muito desenvolvimento, já que também seria interessante uma abordagem mais profunda de como se sentem e de como os afeta esta situação. Se procuram um filme inspirador para ver neste domingo, Elizabeth is Missing é precisamente aquilo que necessitam e, provavelmente, será uma das últimas obras desta atriz fenomenal que é Glenda Jackson.

Elizabeth is Missing Critica de Cinema

A banda-sonora é também ela fabulosa, trazendo uma alma muito própria às sequências e criando um ritmo dinâmico que nos faz estar ainda mais envolvidos com os conflitos pessoais, psicológicos e mentais que a protagonista vai ilustrando ao longo do filme. O argumento de Andrea Gibb acaba por enaltecer os melhores aspetos da obra de Emma Healey e foca-se quase inteiramente no one woman show de Jackson, fazendo com que a conheçamos na sua integridade e nutrirmos uma afeição quase instantânea com a mesma. Portanto, Elizabeth is Missing é um registo muito especial e uma prestação extraordinária e que pode ser matéria para a próxima edição dos Emmys, já que o filme foi feito para formato televisivo. Fico a aguardar e a torcer por esta veterana que é a alma e a essência de Elizabeth is Missing.

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Título: Elizabeth is Missing

Título Original: Elizabeth is Missing

Realização: Aisling Walsh

Elenco: Glenda Jackson, Maggie Steed, Sophie Rundle, Liv Hill, Neil Pendleton, Julie Hannan, Mark Stanley.

Duração: 87 min.

Trailer | Elizabeth is Missing

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