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Star Trek: Discovery – Season Finale – 3ª Temporada

Star Trek: Discovery season finale

PODE CONTER SPOILERS DE STAR TREK: DISCOVERY!!!

Desde o início que Star Trek: Discovery tem estado envolta em controvérsia, muito pelo maior foco na ação do que na ficção científica que tem palpado as várias antecessoras. Ainda assim, reuniu fãs e elogios suficientes para garantir a sua própria continuação, como esta terceira temporada que chegou até nós, apesar de ainda estarmos a enfrentar uma pandemia feroz!

Esta temporada arranca imediatamente após os eventos da temporada anterior, com a tripulação da Discovery a viajar para o futuro. Não só terão de lidar com uma galáxia fraturada e isolada, mas também terão de resolver o mistério central que levou a esta situação.

O MELHOR:

Mesmo com o corte de episódios (e potencialmente um corte no orçamento), Star Trek: Discovery continua a ser um pedaço de entretenimento interessante de se ver.

As temporadas anteriores, num ponto de visual, já eram impressionantes em si, e esta não é exceção. Se bem que tem um sabor extra com a totalidade da ação a decorrer num futuro distante. Isto permite aos produtores de se deixarem levar criatividade e introduzir novos conceitos e gadgets que possível só existirião nos nossos sonhos mais febris.

A narrativa principal da temporada não é das melhores (um tópico que será abordado mais à frente), mas não deixa de ser um tanto ou quanto ressonante com os tempos em que vivemos. Basta olhar para a sociedade na série e depressa encontramos alguns paralelos com a situação que o planeta está a atravessar. As séries antigas da saga sempre tiveram uma ligação profunda a questões sociais e políticas, e embora Discovery não consiga espelhar essas ideias de forma credível, estas estão lá, especialmente nas ideias de isolamento e da necessidade de nos ligarmos aos outros como seres com consciência que atravessam pela mesma adversidade.

Como já se torna habitual em séries de relativa longevidade, também Discovery oferece algumas caras novas para nos deliciarmos. Apesar do vasto leque de atores que dão o ar de sua presença, existem, pelo menos, quatro mais proeminentes. Temos o caso do Almirante Vance (Oded Fehr), o novo líder da Federação que pode exibir um exterior duro, mas também nutre uma vontade de religar os mundos separados, ou Cleveland Booker (David Ajala), um estafeta que se torna a primeira pessoa com quem Michael (Sonequa Martin-Green) – e nós! – trava conhecimento neste novo mundo.

No entanto, há duas adições ao elenco que colocaram Star Trek: Discovery nas páginas dos noticiários da especialidade: Blu del Barrio e Ian Alexander. Esta dupla inclusão podia ser vista meramente como uma forma de a série manter-se a par destes tempos – Barrio é não-binário, ao passo que Alexander é transsexual – mas pelo menos têm direito a desenvolvimentos que os tornam menos em caricaturas e mais como pessoas reais. A sua trajetória pessoal acaba por ser uma espécie de espelho aos sentimentos que Gene Roddenberry, criador da série original, tentava incutir na população.

Mas também, valendo o que vale, a tripulação da Discovery consegue fazer mais do que servirem como minions sem personalidade, ainda que exibam sinais de que ainda há muito trabalho pela frente nessa questão.

O PIOR:

Ainda assim, comparando com as temporadas anteriores, Star Trek: Discovery é uma tremenda desilusão em termos da narrativa.

Esta é uma das entradas mais obscuras na série, no sentido em que a sua mensagem de esperança e luta perder-se pelo meio de uma situação que reflete o mundo atual. Mas não é só essa temática que falha, além de o conceito futurista não ser aproveitado da melhor forma. O mistério central da temporada teve um arranque impressionante, e o catalisador pode ser visto como uma subversão inteligente da trope dos desastres naturais, mas depressa perdeu o seu fulgor, e a sua resolução deixou bastante a desejar.

O mesmo não se aplica aos vilões de serviço da temporada, simplesmente é ainda pior. A Cadeia de Esmeralda, um grupo que controla as rotas comerciais, revela-se, no fim e ao cabo, como uma mera distração e não como um grupo de inimigos a serem levados a sério.

Esta terceira temporada de Star Trek: Discovery tem os seus momentos, e é um regalo para a vista. No entanto, esta é uma temporada mais desequilibrada que as anteriores, deixando um travo amargo para os fãs. Oxalá que a temporada seguinte consiga corrigir esses e outros problemas.

Podem ler o nosso Frame by Frame anterior aqui.

Estado da série: RENOVADA

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Star Trek: Discovery regressa para uma terceira temporada que, apesar de ter alguns momentos poderosos, deixa imenso a desejar.

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