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Crítica: Fatale (2020)

Fatale Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE FATALE!

Femme fatale é um termo que os estudiosos de cinema estão bem familiarizados. É uma terminologia própria para designar a mulher sensual que tem um poder persuasivo gigante sobre o homem e que o leva a cometer os atos irrepreensíveis. Terminologia essa que deu origem a este neo-noir inofensivo que, de alguma forma, acaba por conquistar em certos pontos, ainda que na sua totalidade não possa ser visto como algo transcendente nem inovador. Portanto, um bem sucedido agente desportivo, que teme que o seu casamento esteja a perder o seu fogo, envolve-se numa one night stand com uma sedutora mulher. Assim que a sua casa é invadida, esta mulher assume a sua identidade como uma agente policial a quem o caso é atribuído. Mas a vida de Derrick está prestes a cair a pique quando esta agente começa a interferir com o seu dia-a-dia.

Fatale Critica de Cinema

Fatale é uma homenagem ao clássico Fatal Attraction, e tem um carisma próprio, com o recorrer de neons quentes e clima de sedução misterioso, mas depressa se torna um thriller com alguma pujança, mesmo que não consiga ascender a algo superior. Hilary Swank tem aqui um registo muito diferente do seu habitual e é a sua personagem que acaba por conseguir carregar a narrativa, tornando Fatale um filme prazenteiro e um thriller agradável de domingo à tarde. As restantes personagens são demasiado formulaicas e pobres em construção, não tendo nenhuma característica que as faça destacar de todos os thrillers mais banais feitos até agora. Mesmo que Fatale tenha o ritmo certo para nos proporcionar um bom serão de entretenimento, não consegue dar uma marca própria ao seu enredo, nem resistir às convenções já aborrecidas de Hollywood.

Ainda que a realização de Deon Taylor consiga breves instantes de um eye catching interessante, acaba por não resistir a tentar tornar Fatale o filme em que os twists são tão previsíveis que os vemos a chegar desde o horizonte. A narrativa não consegue suster-se e criar algo de diferente, espalhando-se muitas vezes por tornar demasiado óbvio aquilo que o espectador deve gesticular no seu pensamento. Esta linearidade torna Fatale algo muito vulgar a banalizado, sem grande iniciativa para tomar riscos e fazer algo diferente com uma temática já saturada. Ainda assim, ficou um guilty pleasure pela condução da personagem de Swank que tem aqui um material bastante interessante para o seu registo, ainda que o filme viva inteiramente desta sua dinâmica performativa.

Fatale Critica de Cinema

Aproveitando o conceito que mencionei em cima para simplesmente fazer uso do nome, Fatale é um thriller que tem os seus momentos empolgantes, mas é demasiado previsível e ter uma estrela como Swank na liderança e o restante reduzido a clichés não o torna uma obra superior. Ainda assim é aquele filmezinho que assenta bem quando não têm mesmo nada que ver ou fazer e acaba por se revelar artisticamente engraçado, mesmo que reconheçamos que não é mesmo nada de especial.

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Título: Fatale

Título Original: Fatale

Realização: Deon Taylor

Elenco: Hilary Swank, Michael Ealy, Mike Colter, Kali Hawk, Danny Pino, Damaris Lewis.

Duração: 102 min.

Trailer | Fatale

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