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Crítica: Pieces of a Woman (2020)

Pieces of a Woman Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE PIECES OF A WOMAN!

Um parto em casa que correu mal, leva uma mãe desesperada a fazer um luto devastador, que a coloca em rota de colisão com as pessoas que mais ama e a processar a parteira que acredita ter negligenciado o processo que conduziu à morte precoce do seu bebé. Um drama intenso, com performances memoráveis, mas com um desenvolvimento que acaba por perder força à medida que avança é o resumo que melhor se consegue fazer de Pieces of a Woman.

Pieces of a Woman Critica de Cinema

Realizado pelo húngaro Kornél Mundruczó, Pieces of a Woman conta com uma Vanessa Kirby assombrosa, num papel que pode muito bem (e legitimamente) conduzi-la à sua primeira nomeação ao Óscar. Apesar de todos os escândalos que agora circulam contra Shia LaBeouf, também é necessário reconhecer o mérito da sua prestação; para além de uma Ellen Burstyn que continua em boa forma, ainda que o seu destaque seja algo que o filme não consegue sustentar. Com uma abertura maravilhosamente arrepiante, Pieces of a Woman tem um primeiro ato excelente e que nos deixa absolutamente investidos, mas o problema maior reside no desenrolar dos eventos que se seguem.

A mágoa sentida pelas personagens é notória e a condição humana é abordada com uma sensibilidade realista, ainda que o filme comece a pecar por procurar arranjar bodes expiatórios pouco consistentes numa de se justificar para prolongar um pouco mais a sua duração. É quase como que Pieces of a Woman entre num jogo de “quem é que tem a culpa” mais do que se preocupa em expor os dilemas psicológicos que as personagens estão a enfrentar. Esta jogada mostra-se frágil perante algo tão significativo e tão dramaticamente intenso. De facto, Pieces of a Woman tem ambições interessantes mas começa a fragilizar-se com argumentos que fogem do foco principal e removem algum do brilho que Kirby tem ao longo de quase toda a película. Não quero dizer que Pieces of a Woman não seja um registo de qualidade, porque inquestionavelmente que é.

Pieces of a Woman Critica de Cinema

Muito se deve a este investimento da atriz num papel singular e que a catapulta para um patamar de excelência e a define como uma das mais promissoras atrizes destes últimos anos. E, mais uma vez reforço, que os problemas em que Shia LaBeouf está envolvido na vida real não são determinantes do seu desempenho como ator e, quer se acredite ou aceite ou não, ele entrega uma performance vívida, ainda que seja igualmente vítima das ambições descontroladas que se fazem sentir após o primeiro ato do filme. Mesmo que esteja feito para agradar a todo um público humano e que, de alguma forma, se consiga relacionar com a sua mensagem, Pieces of a Woman ganharia mais se se focasse nos dilemas isolados das personagens e de como estão a lidar com o seu sofrimento, mais do que procurar infantilizar uma “caça às bruxas” de quem é que tem a culpa do sucedido.

Ainda que tenha defeitos óbvios, Pieces of a Woman pode muito bem ser um sucesso para a Netflix porque contém em si uma narrativa aliciante para os amantes de um bom drama e com prestações memoráveis, para além de ter a temática certa que apela às academias de cinema. Howard Shore assina uma banda-sonora magnífica e que não deve ser esquecida e a atriz secundária Molly Parker também tem mérito e não deve ficar nas sombras de acatar com um papel ingrato, mas nem por isso, mal interpretado. Portanto, Pieces of a Woman por muito boas intenções que tenha, não consegue subir na escala pelos defeitos mais óbvios de querer ser mais novela do que um estudo humano em toda a sua composição.

Pieces of a Woman Critica de Cinema

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Título: Pieces of a Woman

Título Original: Pieces of a Woman

Realização: Kornél Mundruczó

Elenco: Vanessa Kirby, Shia LaBeouf, Ellen Burstyn, Iliza Schlesinger, Benny Safdie, Sarah Snook, Molly Parker.

Duração: 126 min.

Trailer | Pieces of a Woman

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