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Crítica: Minari (2020)

Minari Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE MINARI!

Com a campanha aberta para os prémios das academias de cinema, os filmes começam a surgir aqui e acolá para nos trazer histórias ricas e amorosas como este Minari, de Lee Isaac Chung. A história é muito simples: uma família coreana tenta criar raízes no estado do Arkansas para tentarem ser autossuficientes e viverem felizes numa quinta, deixando para trás o metódico trabalho de verem o sexo dos pintainhos que irão dar origem às galinhas poedeiras. Apesar das dificuldades óbvias, os Yis acolhem a sua matriarca, a avó Soonja, que começa a desenvolver uma relação muito próxima com o seu neto travesso David, até acontecer um desastre.

Minari Critica de Cinema

Minari é um filme rico em simbolismos e tem uma história absolutamente adorável, com prestações vívidas, uma banda-sonora fantástica e uma direção de fotografia muito competente. É também um registo que tira proveito de uma realização simples e se centra totalmente nas suas personagens, fazendo-as sobressair e nunca as rotula como meramente ornamentais. Apesar de sentir uma certa frieza nalgum dos desenvolvimentos das mesmas, Minari irá tocar no coração de todos aqueles que gostam de uma boa história que procura o Sonho Americano, contra todos os obstáculos culturais e financeiros que vão surgindo. Há também um problema com Minari que, infelizmente, não consigo ignorar: a sua história acaba por se aproximar com a de The Farewell, que estreou no ano passado. Quando o filme começa a mover o seu foco do casal protagonista para a avó e o seu neto, sentimos que estamos perante algo mais sentimentalista e que tenta puxar à força toda o lado emotivo do espectador, tal como o filme anterior. É ainda demasiado cedo para se repetir algumas ideias e, por muito que Minari tenha carisma próprio, isto prejudica-o em termos criativos. No entanto, é inegável a química entre os atores Youn Yuh-jung e Alan S. Kim, que acabam por trazer uma brisa ainda mais doce à já bonita história de Minari.

Minari Critica de Cinema

É também um filme que mostra verdadeiramente o talento de Steven Yeun, que ficou uma estrela com a série de sucesso The Walking Dead, e agora pode utilizar as suas origens como catapulta para o Óscar. O elenco de Minari é extremamente profissional e competente, sendo que é aquilo que mais destaque merece numa história de emigração que, de alguma forma, já não se torna surpreendente. Apesar do seu maior trunfo ser a prestação de Youn Yuh-jung, a vovó Yi, Minari tem também simbolismos próprios que irão fazer os americanos de ascendência asiática esvair-se em lágrimas. A própria palavra Minari é referente a uma planta utilizada na culinária coreana e recebe uma conotação ainda mais emocionante com a cantiga popular que une a avó com o seu neto.

Portanto, Minari é um filme bonito, sem sombra de dúvida, tem personagens maravilhosas e atores preciosos, elementos técnicos excelentes e uma realização simples e centrada naquilo que realmente importa, ainda que a sua temática acabe por ser um pouco já habitual e aproximar-se do filme The Farewell em termos de sentimentalismo e isso acaba por quebrar a sua criatividade máxima. Ainda assim, é um filme que merece todo o carinho de prémios de mais algum, visto que é um filme que tem o coração no sítio certo e que transpõe as emoções para o público de forma transparente.

Minari Critica de Cinema

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Título: Minari

Título Original: Minari

Realização: Lee Isaac Chung

Elenco: Steven Yeun, Teri Han, Youn Yuh-jung, Alan S. Kim, Noel Cho, Will Patton, Scott Haze, Esther Moon.

Duração: 115 min.

Trailer | Minari

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