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Vikings – Series Finale – 6ª Temporada

Vikings Series Finale

CONTÉM SPOILERS DE VIKINGS!

Skol! A série do povo nórdico mais famosa do mundo chega finalmente ao fim e temos imenso para conversar sobre ela e fazer uma retrospetiva abastada de tudo o que a série nos trouxe até aos dias de hoje. Acarinhada por fãs de todo o mundo, Vikings foi provavelmente a aposta mais longa e ousada do criador Michael Hirst. Resumidamente, nestes episódios finais, Ivar prepara-se para invadir novamente Inglaterra com o seu irmão Hvitserk, enquanto que Ubbe enfrenta condições terríveis para chegar a Vinland, a terra prometida. Björn está em mau estado e a sucumbir lentamente aos seus ferimentos. Harald regressa a Kattegat para reclamar o trono e casa-se com Ingrid. O Rei Alfred de Wessex prepara-se para enfrentar a grande horda de exército viking nos seus territórios.

Vikings Series Finale

Antes de falarmos sobre o que correu bem e não muito bem da temporada, devo informar os caros leitores que não sou propriamente fã de Michael Hirst nem da sua escrita, especialmente porque acompanhei o seu anterior trabalho The Tudors, que me irritou profundamente porque Hirst é atabalhoado a dar rumos às personagens. Quando Vikings estreou e nos trouxe Travis Fimmel como Ragnar Lothbrok, havia um encanto nos diálogos, nas posturas vincadas que adornavam as personagens, recheadas de temperamentos voláteis e decisões contestatórias, para além de uma curiosidade por aquilo que fugia à cultura viking e de abraçar de alguma forma o que era estrangeiro, exótico e desconhecido. Hirst é competente em apresentar os seus protagonistas e a dar-lhes propósitos que os tornam personagens ricas e com objetivos mutáveis. O grande problema é precisamente quando não sabe o que fazer com as secundárias e se torna ambíguo na sua exploração das mesmas. Há todo um misto em Vikings de deslumbre e ao mesmo tempo de frustração. A série nunca conseguiu manter a linearidade dos seus tempos áureos de Ragnar e preferiu dar continuidade a algo que não tinha ainda substância suficiente. Por muito que o reinado de Ragnar Lothbrok não tenha terminado com o legado viking, a série deveria ter optado por procurar uma nova equipa de argumentistas para trazer algo de mais fresco e mais intenso e de tomar decisões que não comprometessem o envolvimento do público com esta história que começou a tornar-se frustrante por se arrastar para um abismo.

Vikings Series Finale

A verdade é que Vikings, ao seguir as aventuras dos irmãos Lothbrok e da veterana Lagertha, acabou por se dispersar e por não conseguir trazer o mesmo charme de frescura que a saga dos mesmos necessitava. Isto porque Hirst acaba por tentar incluir demasiados aspetos novos e nunca lhes dá propriamente conclusão, como já acontecia em The Tudors. Sentimos apenas que é um arrastar de situações a um nível de exaustão extremo, leva-nos a perder o entusiasmo pelas personagens e, pior do que isso, dá destaque a algumas que nunca desenvolveu anteriormente e ficamos constantemente com aquele pensamento: “mas de onde é que veio este?”, “quem é esta e o que é que ela fez na verdade?”. Este saltitar de protagonismo de personagens irrelevantes ou de menor importância para a essência de Vikings foi o seu maior calcanhar de Aquiles. É uma série que irá ficar na História da Televisão certamente e tem mérito por si, mas infelizmente, é com muita desilusão que me despeço dela.

O MELHOR:

Um passo de cada vez, mas este regresso da temporada final, abre com um episódio bastante bom, onde nos despedimos do mais velho dos rebentos de Ragnar, Björn.

Mesmo que nunca tenha sido propriamente fã da personagem, nem me identificasse propriamente com a sua relevância, foi um final justo, heroico e intenso e que irá satisfazer as delícias dos fãs veteranos da série. Outra característica magnífica e que revela um certo cuidado no casting dos atores, é precisamente a prestação de Alex Høgh Andersen como Ivar, the Boneless. O jovem, que venceu o nosso CineAward há uns aninhos atrás, conseguiu elevar a sua prestação e tornar-se em todo o novo epicentro da série, ainda que a escrita de Hirst não lhe tenha feito justiça em muitas situações. Ele é o rosto mais identitário de Vikings para além do de Ragnar Lothbrok, e o seu olhar é tão intenso que nos assusta de cada vez que a câmara se foca nele. 

E é notória a estima que se há pela mesma, já que Hirst vai-lhe atribuindo as mesmas camadas de personalidade ambígua e interessante como deu ao seu protagonista anterior. O final da série acaba por ser satisfatório, de terminar numa bonita ode a todo o legado deixado pelo viking mais destemido da sua era. No entanto, Vikings não passa disto e, por um bom episódio e por uma prestação acima da média, não consegue salvá-la da mediocridade de todo o restante.

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O PIOR:

Há decisões argumentativas que são terríveis, e dez episódios por cada segmento é demasiado.

Vikings começa a dispersar-se em tanta mas tanta coisa que nunca sabemos bem qual é o foco de interesse principal da história. A quantidade desmesurada de personagens que surge com um contexto pouco desenvolvido e de repente insurgem num protagonismo atípico acaba por nos deixar mais desinteressados e mais confusos. A viagem de Ubbe para Vinland foi também penosa e exaustiva, e há toda uma falta de criatividade em criar momentos de maior tensão e muito se deve por o elenco ser demasiado verde.

Se a primeira parte da temporada se tinha revelado desastrosa, esta não fica muito atrás nalguns aspetos… ainda que tenha conseguido, pelo menos, dar um desfecho merecido a alguns dos seus intervenientes de maior relevância, mas todo o resto é banal, desprovido de alma, de escrita preguiçosa e com um elenco que não consegue conquistar. Seja como for, Vikings merece, pelo menos, ficar reconhecida pelo mundo por apresentar um dos povos mais sangrentos e mais irreverentes que habitaram o planeta com algum carisma e alguma seriedade. Mas, infelizmente, é apenas um produto mais banal do que incrível.

Não esquecer que Hirst está a desenvolver um spin-off para a Netflix que continua de alguma forma o legado deixado para os fãs de Vikings. Certamente que os fãs mais acérrimos não quererão perder a oportunidade de continuarem a seguir as aventuras dos northmen!

Vikings Series Finale

Estado da Série: TERMINADA

Leiam o nosso Frame by Frame anterior de Vikings aqui.

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Vikings chega FINALMENTE ao fim e, embora tenha um episódio excelente em que se despede de uma personagem icónica da série e tenha em Alex Høgh Andersen o seu maior trunfo, todo o resto é banal, desinteressante e maçudo.

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