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Crítica: Soul (2020)

Soul Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE SOUL!!!

Uma das produtoras que se tem mantido consistente é a Pixar (sabem, a produtora encarregue de alguns dos melhores filmes animados da Disney). Claro que, pelo meio, ainda se aventurou em sequelas e prequelas (algumas melhores que outras), e também sou poucos os filmes que podem ser vistos como fracassos, mas é impossível não ligar o radar sempre que ouvimos burburinhos sobre um novo filme desta produtora. E este ano não foi exceção, com a Pixar a encerrar o ano de 2020 em boa forma com este Soul (que, infelizmente, teve de ser disponibilizado via Disney+ devido à pandemia).

Joe Gardner é um professor de música que sempre nutriu uma paixão pelo jazz, sendo o seu sonho poder tocar piano junto dos melhores. Quando a sorte grande lhe bate à porta, Joe está, compreensível, em êxtase. Pelo menos até ao momento em que morre e depara-se no Além. No entanto, Joe está disposto a fazer de tudo para cumprir com o seu sonho.

Costuma-se dizer que “em boa equipa não se mexe”. Pelos vistos, foi exatamente isso que a Pixar pensou quando deu as boas vindas a Pete Docter que, cinco anos depois da grande surpresa da animação em 2015 chamada Inside Out, regressa como co-realizador e co-guionista de Soul, e os resultados tornam-se mais do que evidentes!

Depois de termos uma visão hipotética sobre o funcionamento das emoções, Soul aventura-se sobre uma visão hipotética sobre a origem da alma. Os filmes da Pixar sempre se demarcaram devido à originalidade por detrás dos seus mundos, e este filme não é exceção. É visualmente diferente do esperado, mas não menos cativante. Aliás, a perceção do Pós-Vida acaba por nos agraciar com momentos visuais verdadeiramente mágicos (alguns deles dignos de tirarmos um print e colocá-los como papéis de parede).

No entanto, e por incrível que possa parecer, Soul não se aventura por completo nestas questões hipotética, dando uma maior prioridade à discussão sobre o que realmente faz a vida valer a pena ser vivida. E essa discussão torna-se mais do que aparente quando Joe interage com a alma 22. 22 é uma alma infantil que, desde cedo, nunca teve interesse em viver na Terra. Pois bem, essas interações entre as duas almas tornam-se no motor central do filme, e é esse o maior dos trunfos de Soul: a habilidade de fazer-nos reconhecer que é bom termos as nossas ambições, mas nada de vale se não pararmos um bocado e apreciar os pequenos momentos à nossa volta. Experimentarmos novas delícias, termos conversas profundas com outras pessoas, apreciar tudo o que está à nossa volta… É uma mensagem tocante, e ajuda que, bem ao estilo da Pixar, Soul nos consiga cativar, chorar, rir, apreciar.

Soul também conta no seu elenco alguns dos nomes mais relevantes da indústria. Graham Norton, Rachel House, Alice Braga, Richard Ayoade, Angela Bassett são alguns dos nomes que compõem o elenco do filme, mas o destaque merecido vai precisamente para Jamie Foxx (Joe) e Tina Fey (22), já que as suas performances vocais conseguem elevar o filme para novos patamares. Sem a sua dedicação, as viagens pessoais de Joe e 22 não teriam o peso ou a ligação para nos fazerem torcer por eles. E nós, por cá, agradecemos a sua dedicação.

De mencionar que um dos aspetos também surpreendentes do filme reside na sua banda-sonora. Trent Reznor e Atticus Ross não são estranhos nesta área, e as suas composições eletrónicas enchem as sequências presentes (mais notáveis quando estamos no Além). No entanto, há que reconhecer os contributos de Jon Batiste, que partilha os seus sons ligados ao mundo do jazz com sensibilidade, tanto que acaba por dar um toque também comovente às cenas lá presentes.

Em suma, a Pixar tornou a fazer o impossível. Conseguiu tornar um tema existencial complicado num filme orientado tanto para adultos como para graúdos, com uma história comovente, personagens e performances carismáticas, uma componente visual que mostra a originalidade contagiante e uma banda-sonora única, no verdadeiro sentido da palavra. Quer seja no grande ecrã do cinema ou nos dispositivos domiciliários, Soul é um dos filmes obrigatórios do ano que pode – e deve! – ser visto em família.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Soul – Uma Aventura com Alma

Título Original: Soul

Realização: Pete Docter, Kemp Powers

Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton, Rachel House, Alice Braga, Richard Ayoade, Phylicia Rashad, Donnell Rowlings, Questlove, Angela Bassett

Duração: 100 minutos

Trailer | Soul

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