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Crítica: Minor Premise (2020)

Minor Premise Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MINOR PREMISE!!!

O ser humano e a sua ligação com os sentimentos é matéria ainda em exploração, tanto que se torna difícil de traduzir esta ligação num filme para efeitos de entretenimento e/ou efeitos lúdicos. Inside Out, um dos melhores filmes de animação da Pixar, foi um dos poucos que conseguiu chegar perto desse objetivo. Portanto, isto para dizer que Minor Premise pode não ser tão revolucionário quanto se possa pensar, mas não deixa de convidar a tirar algumas conclusões.

Ethan é um neurocientista que pretende superar o seu falecido pai, que inventou um sistema de leitura de mentes e gravação de memórias. Ethan pretende seguir essa linha de pensamento, ao propor o isolamento de certos aspetos da personalidade humana. No entanto, a experiência corre muito mal, deixando Ethan com 10 personalidades a lutar pela dominância e com uma contagem decrescente até que Ethan sofra danos irreparáveis.

Tal como tinha mencionado acima, o ser humano e a sua ligação com traços psicológicos ou emocionais torna-se um desafio para transpor para o ecrã, tantas para efeitos de entretenimento ou efeitos de educação. Felizmente, Minor Premise traz consigo a experiência necessária para cumprir com esse efeito, já que Eric Schultz e Justin Moretto possuem o know-how dentro deste ramo da ciência. O resultado é um filme que, embora enraizado na ficção científica, não deixa de ser realista no que refere às suas temáticas.

Sim, pode estar mais associado à ficção científica, mas Minor Premise pode ser melhor descrito como um thriller psicológico, especialmente à luz da situação central do filme. Leia-se, Ethan que, depois da experiência, fica reduzido a 9 personalidades distintas e uma que serve como base do “eu”. No entanto, seria fácil capturar essas personalidades únicas e com os seus próprios desejos (como se se tratasse de Transtorno Dissciativo de Identidade). Em vez disso, cada uma delas continua a ser Ethan, apenas com um tipo de personalidade principal e também com as suas respetivas memórias. O facto de cada uma delas ter direito a cada 6 minutos e sem memórias dos restantes 54 minutos não só aumenta a tensão, mas também dá uma espécie de contagem decrescente no seu todo.

É claro que esta representação não seria possível sem um ator com capacidade de representar estas personalidades de forma fidedigna, e felizmente, Sathya Sridharan como Ethan é a grande surpresa deste filme independente, ao navegar entre as várias personalidades sem incorrer aos exageros tentadores. Embora não sendo completamente carismática, a sua performance, tal como a forma como é escrito (um ser humano danificado pelos traumas do passado), ajuda-nos a ter alguma simpatia para com ele.

No entanto, o trabalho surpreendente do ator suplanta o dos seus colegas, que parece que se resignam aos seus arquétipos do que se mostrarem como personagens complexas. Essas limitações também se estendem ao filme em si, já que com as limitações do orçamento resigna-o a uma única localização durante a maior parte da ação e efeitos mais práticos. Se bem que, em retrospetiva, acaba por dar uma maior sensação de tensão, o que abona definitivamente a seu favor.

Minor Premise não é um filme para todos, já que aborda um tema interessante mas também desafiante. E ainda que possua algumas limitações, essas não denegridem as suas qualidades.

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Título: Minor Premise

Realização: Eric Schultz

Elenco: Sathya Sridharan, Paton Ashbrook, Dana Ashbrook

Duração: 95 minutos

Trailer | Minor Premise

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