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Crítica: Reign of Fire (2002)

Reign of Fire Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE REIGN OF FIRE!

Todos temos guilty pleasures e quando se trata de fantasia, sou o primeiro a defender esse conceito. Reign of Fire é um dos meus maiores, onde Matthew McConaughey e Christian Bale combatem uma espécie de dragões que emerge das profundezas da Terra e aniquilam quase toda a humanidade. Anos depois, estes dragões tornaram-se a espécie dominante, mas os poucos humanos descobrem uma forma de os derrotar. Realizado por Rob Bowman, Reign of Fire é um deslumbre visual interessante e tem uma premissa que, mesmo podendo parecer parola, acaba por conquistar, mesmo que não seja aprofundada ao pormenor.

Reign of Fire Critica de Cinema

É mesmo por estes motivos que Reign of Fire não consegue ascender a algo melhor. É um entretenimento prazenteiro, regido por um bom elenco e bons efeitos visuais, mas tem uma narrativa muito pobre e explora muito pouco a sua mitologia. Mas há todo um aspeto interessante com base nas técnicas de sobrevivência dos seres humanos e desta inversão de papéis de espécie dominante. Não sendo um filme que usa e abusa das sequências de ação, Reign of Fire ganha alguns pontos por se manter simples e com uma história curta, evitando assim cair em exageros. Mesmo que as personagens não tenham muito desenvolvimento, Reign of Fire é um tipo de filme que felizmente não exige muito; mas esta opção obrigava os argumentistas a trabalhar com mais detalhe toda a mitologia dos dragões. De onde vieram? Porque é que só agora se revelaram? Como se comportam eles no seu meio? Embora roce algumas destas questões superficialmente, Reign of Fire merecia um tratamento melhor da sua temática.

Em 2002, já havia um grande avanço tecnológico, e a construção dos dragões é visualmente cativante, proporcionando momentos de adrenalina vertiginosos e tirando proveito de cenários áridos, polvilhados de cinza, como se víssemos o planeta sucumbido pelas chamas. A nível de recriação, Reign of Fire é bastante meticuloso e as personagens, por muito simples e unidimensionais que sejam, acabam por salientar esse aspeto de uma forma vívida e competente. Mesmo não sendo papéis que realcem as suas carreiras, quer Matthew McConaughey, quer Christian Bale, conseguem carregar o filme com garra, tornando as suas personagens vincadas a uma conduta própria. Reign of Fire é também uma viagem interessante sobre a mentalidade humana em se reerguer, literalmente, das cinzas, e nunca parar de lutar pelo seu futuro e sobrevivência.

Reign of Fire Critica de Cinema

Claro que, lá está, Reign of Fire acaba por ter argumentistas algo preguiçosos e que não dão camadas dramáticas intensas que eram tão necessárias. Para além disso, todo o worldbuilding acaba por ser muito suave e o filme deveria ser explorado com mais aspetos interessantes e que iriam contribuir para um enriquecimento, quer dos heróis, quer dos vilões. A duração curta acaba por impedir que o filme adquira um tom demasiado exagerado e evita que a história se perca a certo ponto, mas Reign of Fire é aquele filme que merecia mesmo um pouco mais de informação, porque assim acaba por ser muito pobre e meramente expositivo. Mas não deixa de ser um guilty pleasure e um daqueles filmes badass que proporciona aos espectador entretenimento fácil e gratuito, sem ter de puxar muito pelo cérebro. Mesmo não sendo nada de extraordinário, merece ser recompensado por ter conseguido não se tornar um Dragonnado ou algo do género. É ação bem filmada, com protagonistas porreiros e dragões visualmente cativantes.

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Título: Reino de Fogo

Título Original: Reign of Fire

Realização: Rob Bowman

Elenco: Christian Bale, Matthew McConaughey, Izabella Scorupco, Gerard Butler, Scott Moutter, David Kennedy, Alexander Siddig, Ned Dennehy.

Duração: 101 min.

Trailer | Reign of Fire

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