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Crítica: Skylines (2020)

Skylines Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE SKYLINES!!!

Hoje em dia, torna-se cada vez mais difícil conseguir lançar um franchise cinematográfico, muito por causa da insistência em enveredar por ambições que, por causa da qualidade inferior ou fraca receção do público, não são correspondidas (o universo cinematográfico dos Monstros da Universal é um dos casos mais recentes). E Skyline, o filme independente de 2010, é um daqueles exemplos que aprendeu da pior forma. Teve direito a uma sequela há dois anos, mas o franchise nunca teve a relevância necessária para ser levada a sério pela comunidade. Pois bem, parece que a sua história chegou finalmente ao fim com este Skylines.

Passaram-se 15 anos desde os eventos do filme original (e cinco desde Beyond Skyline). Humanos e Pilotos – criaturas alienígenas com cérebros humanos – vivem numa harmonia ténue. Essa paz é perturbada quando um vírus misterioso começa a regredir os Pilotos para a sua essência nativa. Um grupo de soldados pede ajuda a Rose (a rapariga MacGuffin do filme anterior), agora adulta, para viajar ao planeta natal deles e encontrar uma solução.

Considerando que esta é a última entrada na trilogia, Skylines faz tudo por tudo para oferecer sentimentos fortes do início ao fim. E não é para menos, uma vez que o filme – escrito e realizado por Liam O’Connell, que esteve à frente dos projetos desde o primeiro momento – arranca de forma propriamente dita a partir dos 15 minutos. E assim que começa, raramente se atrasa para respirar.

Infelizmente, este ritmo acelerado não consegue disfarçar os problemas que atormentam o filme. E acreditem, existem imensos! Fica mais do que patente que Skylines toma inspiração direta em filmes claramente superiores na sua narrativa e temáticas. Conflito social entre humanos e Pilotos “reformados”? District 9. Um grupo de soldados que viaja para o planeta natal de alienígenas? Aliens. Não é difícil de perceber aonde quero chegar com isto: Skylines, em termos narrativos, parece estar mais concentrado nas suas inspirações em vez de trilhar o seu próprio caminho, independentemente se este é o final ou não.

O aspeto visual do filme também deixa a desejar. É fácil de notar nesses problemas nos alienígenas em si, com designs enfadonhos e, tirando uma mudança nos LEDs, mal se diferenciam uns dos outros. Essa mão também é alargada ao seu planeta natal, que não passa de um planeta rochoso desértico (aonde é que já vimos isto antes?) e sem esquecer os efeitos visuais, que parecem ter saído diretamente de um videojogo de há duas gerações atrás de qualidade bastante duvidosa.

NO entanto, o elemento mais chocante do filme reside no desperdício total do seu elenco, com um trabalho coletivo que só pode ser visto como enfadonho e cliché, especialmente nos nomes mais desconhecidos da arte do cinema e televisão. Ainda é compreensível ver performances assim em atores como Rhona Mitra e Alexander Siddig, que não entregaram papéis de forte relevo até agora. Mas agora, ver Lindsey Morgan (a Raven de The 100) num papel que só pode ser descrito como “fraquinho”? Altamente imperdoável! A atriz, embora jovem, já deu provas mais do que suficientes das suas capacidades, e é triste vê-la reduzida a uma interpretação que é familiar para quem for amante do género da ficção científica.

Valendo o que vale, Skylines é o encerrar adequado para uma trilogia que, se fosse melhor trabalho, seria um guilty pleasure. Por causa disto, reações variarão entre respiros de alívio e “do que é se trata?”, só para terem noção do impacto da trilogia no seu todo.

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Título: Skylines

Realização: Liam O’Donnell

Elenco: Lindsey Morgan, Rhona Mitra, James Cosmo, Alexander Siddig, Jonathan Howard, Daniel Bernhardt

Duração: 118 minutos

Trailer | Skylines

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