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Crítica: The Very Excellent Mr. Dundee (2020)

The Very Excellent Mr. Dundee Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE THE VERY EXCELLENT MR. DUNDEE!!!

O cinema australiano tem vindo a dar-se a conhecer ao longo dos últimos anos, com alguns filmes a surpreenderem, e outros nem por isso. Dito isto, Crocodile Dundee, o filme independente dos anos 80 estrelado por Paul Hogan, continua a ser considerado para muitos como um clássico do cinema moderno, ainda que um tanto ou quanto datado. Por isso, não seria de estranhar se as expectativas para este The Very Excellent Mr. Dundee estivessem perigosamente baixas. E infelizmente, esses mesmos receios tornaram-se realidade.

Ao contrário do que o título possa sugerir, o filme não se trata do regresso de Hogan ao seu papel icónico; em vez disso, vemos uma versão fictícia do próprio ator, que se encontra em embrulhadas cada vez mais maiores na sua vida do quotidiano.

Sátiras aos estilo de vida de Hollywood não é um tema praticamente inovador; aliás, são poucos os produtos cinematográficos que conseguem formatar a velha fórmula em algo verdadeiramente irreverente. Infelizmente, The Very Excellent Mr Dundee engloba os piores aspetos deste tipo de história.

Parece que Dean Murphy – que serve de realizador, além de guionista juntamente com Robert Mond – esqueceu-se por completo que, para um filme funcionar bem, é necessário uma história que tenhas pés e cabeça. Isso não se regista neste filme, que consiste numa sequência contínua de sketches que testam o protagonista a cada momento com consequências que vão de mal a pior. Existe uma ideia geral – a véspera da ordenação do ator como cavaleiro – mas não é tão aprofundada, nem é levada tão a sério.

Num ponto de vista narrativo, The Very Excellent Mr. Dundee deixa imenso a desejar em todos os aspetos possíveis, não só pela ausência de uma história como deve ser, mas também pela forma como descreve as suas personagens, que parecem não sair da cepa torta de estereótipos já conhecidos. Já para não falar que o filme aposta em piadas e críticas que já não possuem a mesma força de antes.

Num aspeto mais visual, o filme também é do mais banal possível, com uma fotografia que não impressiona e um aspeto cénico que, honestamente, já deu tudo o que tinha para dar. Los Angeles simplesmente não possui a mesma magia aqui.

Mesmo a níveis interpretativos, o filme é uma desilusão. E no centro de tudo, há Paul Hogan, que parece encontrar aquela posição de um idoso que só quer descansar e não sai daquele lugar. O ator, quer nos filmes de Crocodile Dundee ou nos seus trabalhos anteriores, conseguiu mostrar uma presença carismática do princípio ao fim; aqui, ele já não possui a mesma garra de antes, como se tivesse esforçado só para chamar a atenção. E o resto do elenco secundário? Bem, também não anda por bons caminhos. E isto sem falar do número infindável de cameos de celebridades da indústria que o filme insiste em enfiar-nos pela guela abaixo.

Em mãos certamente mais capazes, The Very Excellent Mr. Dundee poderia ter sido algo especial. Uma espécie de ode a um ator australiano que tem um lugar especial nos fãs, apesar de estar praticamente incógnito em anos recentes. Em vez disso, temos direito a uma comédia preguiçosa e sem tato. Uma verdadeira perda de tempo para todos nós!

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: The Very Excellent Mr. Dundee

Realização: Dean Murphy

Elenco: Paul Hogan, Rachael Caprani, Nate Torrence, Jacob Elordi

Duração: 88 minutos

Trailer | The Very Excellent Mr. Dundee

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