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Crítica: Max Cloud (2020)

Max Cloud Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE MAX CLOUD!!!

Não é nenhum segredo que nós adoramos as décadas de 80 e 90. São tantos os produtos cinematográficos (e televisivos) que conseguem funcionar como uma espécie de “viagem no tempo”, para tempos mais simples, por assim dizer. No entanto, isso não significa que todos os filmes e séries consigam capturar essa magia. E este Max Cloud é um desses casos.

Sarah é uma adolescente que passa a vida em volta dos videojogos, especialmente o seu favorito, Max Cloud. Até chegar um dia em que esta é transportada para esse mesmo videojogo, e a única maneira de conseguir voltar é através da ajuda do seu melhor amigo, Cowboy, nos controlos do jogo.

Atenção, não me entendam de forma errada: Max Cloud, como filme a ser levado a sério pela crítica, deixa a desejar; mas, se forem fãs do género B-movie, podem encontrar aqui algo diferente para adocicar a língua.

Torna-se mais do que aparente que o filme traz inspiração aos filmes de série B de antigamente – entre sequências de combate de doer a vista ou performances demasiado forçadas para serem levadas a sério – mas também toma inspiração na indústria gaming, especificamente durante uma era em que os adolescentes eram mais fascinados pela ação propriamente dita do que pelo desenvolvimento da narrativa e das suas personagens (vertentes essas que os videojogos de hoje em dia têm vindo a demonstrar, por vezes superando o que é visto no televisor).

O filme encontra maneiras de envolver a estética dos videojogos dos anos 80/90 numa versão em live-action e, embora esta vertente não esteja bem conseguida no seu todo – há diversas instâncias em que os efeitos visuais são do mais amador possível, ou outras sequências encontram maneiras alternativas para dar continuidade sem terem de sacrificar o orçamento claramente limitado – mas fica a ideia de termos sido transportados diretamente para um videojogo. Ainda que tal ideia não seja claramente inovadora (tantos outros conseguiram essa proeza com resultados impressionantes, muito graças a orçamentos mais chorudos).

A nível de interpretações, Max Cloud não impressiona nem desilude. Os atores presentes assentam-se nos seus devidos papéis, mas raramente (ou nunca) se desviam do arquétipo estabelecido. A única rara exceção pode residir em Scott Adkins como o herói titular do filme (ainda que seja mais secundário do que outra coisa), cujas sequências de ação e ego enorme escondem um passado previsível, mas com um leve impacto. É uma mudança de ares para para o ator/duplo, ainda que não seja propriamente o papel que o transforme num ator para ser levado mais a sério (se bem que é um dos poucos que leva a sua profissão a sério, basta ver os seus créditos recentes).

Max Cloud não é um filme para ser levado a sério. Se estão à procura de uma distração fácil do quotidiano mais pesado, têm aqui uma salvação leve (nem é tão longo quanto possam imaginar). Mas se procuram por algo mais, não encontrarão algo substancial aqui.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Max Cloud

Realização: Martin Owen

Elenco: Scott Adkins, John Hannah, Lashana Lynch, Elliot James Langridge, Franz Drameh, Isabelle Allen, Sally Collett, Tommy Flanagan

Duração: 88 minutos

Trailer | Max Cloud

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