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Crítica: Body Cam (2020)

Body Cam Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE BODY CAM!

É uma sensação estranha e ao mesmo tempo satisfatória… uma daquelas que certamente vai contra muitas opiniões por nos encontrarmos numa altura delicada em termos sociais. Há certos filmes que acabam por conquistar, ainda que não saibamos bem como descrever o porquê. Body Cam tem um título péssimo, é certo, mas é um filme que conjuga uma história interessante, embebida numa atmosfera de terror sombria e misteriosa, e que fala sobre perda, perdão e recomeço. Esta é a história da agente policial Renee Lomito, que regressa ao trabalho após ter feito o luto do seu filho Christopher; mas naquilo que seria um bom recomeço, Renee dá de caras com um caso bizarro que envolve um colega seu com quem tinha muita afinidade que foi assassinado em estranhas circunstâncias. Renee parte em busca por respostas e depara-se com uma entidade sobrenatural que está a aterrorizar as ruas e que está a tirar as vidas dos seus colegas.

Body Cam Critica de Cinema

Body Cam é uma surpresa muito agradável, que trabalha muito bem os elementos dramáticos e de terror, deixando-nos sempre envoltos na sua narrativa. Graças a uma Mary J. Blige magnífica, Body Cam mantém-se firme em toda a sua duração e utiliza recursos práticos para causar um impacto significativo. Apesar de ter um título péssimo, é um filme que utiliza precisamente a câmara que se encontra na farda policial como impulsionador da sua premissa, mas não é, de todo, aquilo que reflete a essência da sua temática. A realização de Malik Vitthal é bastante versátil, já que consegue criar momentos de tensão fogosos, aproveitar-se da maquilhagem moderna para trazer realismo e ainda brinca com a questão sobrenatural que, para muitos, pode parecer mal aplicada, mas que para mim é apenas uma metáfora do arrependimento e peso na consciência. Mas sem querer denunciar muito mais, Body Cam é um filme curtinho que tem um elenco talentoso e uma equipa técnica que surpreende pela positiva, articulando um filme de terror invulgar e que merece uma atenção redobrada.

Mesmo não sendo extraordinário, já que as personagens secundárias acabam por não ter um desenvolvimento bom, e de tropeçar nalguns momentos em fomentar o seu mistério convenientemente, Body Cam é um pequeno guilty pleasure que consegue aliar o melhor de vários géneros e de colocar na frente da câmara um elenco talentoso e que nos prende do início ao fim. E tudo isto é possível quando a mensagem é maior do que aquilo que inicialmente se pensa. Esta manipulação óbvia que conduz a um significado interessante acaba por dar frutos e Body Cam, por muito que não me consiga desprender do absurdo que é atribuir-lhe um título desses, é um filme de terror que cumpre a sua função e que irá certamente agradar a uma vasta quantidade de pessoas. Portanto, é uma boa recomendação de fim-de-semana e uma que não vos irá desiludir!

Body Cam Critica de Cinema

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Título: Body Cam

Título Original: Body Cam

Realização: Malik Vitthal

Elenco: Mary J. Blige, Nat Wolff, David Zayas, Anika Noni Rose, David Warshofsky, Ian Casselberry, Philip Fornah, Lara Grice, Demetrius Grosse.

Duração: 96 min.

Trailer | Body Cam

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