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The Ripper – Series Finale – 1ª Temporada

The Ripper Series Finale

CONTÉM SPOILERS DE THE RIPPER!

A Netflix traz-nos uma nova minissérie de true crime com base numa lenda vitoriana que, infelizmente, tornou-se numa realidade novamente nos anos 70. Jack The Ripper, ou em português, Jack o Estripador, parece ter ficado imortalizado na mente de um perturbado homem que começa a assassinar mulheres a sangue frio na província de Yorkshire, em Inglaterra. A polícia parece não conseguir capturar o ilusivo homicida, e começa a teorizar friamente sobre as vítimas que perderam as suas vidas e sobre o seu estilo quotidiano de vivência. Mas eis que uma oportunidade chega, cinco anos mais tarde do primeiro homicídio, de se capturar aquele que é um dos mais emblemáticos serial killers da História do Reino Unido.

The Ripper Series Finale

O MELHOR:

Tal como muitas minisséries do género, The Ripper não foge muito da estrutura habitual.

É um ensaio detalhado e que acompanha o início, meio e fim, desta demanda em busca de justiça. apimentando com testemunhos de sobreviventes e agentes da polícia que operavam na altura. Utiliza uma montagem simples e uma quantidade de informação acessível para todos para que não seja difícil para o espectador entender a cronologia de eventos. É também um que entrega uma conclusão final aceitável, já que este registo tem-se ficado por finais em aberto no seu geral. Mas The Ripper nem sempre consegue manter a sua consistência, mesmo que não deixe de ser um true crime muito bem realizado e competente em termos estruturais.

Há também uma banda-sonora muito interessante que serpenteia pelos momentos-chave, para além de uma notória coleção de imagens de arquivo que complementam a falta de informação videográfica da altura. Para além disso, The Ripper foca-se essencialmente nas famílias da vítimas e das sobreviventes e respeita (em quase tudo, mas já lá vamos) e dá-lhes um destaque maior do que qualquer outro.

O facto de ser um produto informativo e não sensacionalista, mesmo não quebrando a fórmula típica de séries de true crime, acaba por resultar, ainda que pudesse expandir um pouco mais as suas técnicas para criar um envolvimento mais empolgante.

The Ripper Series Finale

O PIOR:

The Ripper… já viram bem este título? É uma tentativa de marketing de apelo a uma glorificação de uma personagem que cometeu crimes severos e atrozes. Um que foi utilizado meramente para apelar a um maior número de pessoas para ganhar audiências, mais do que se preocupar honestamente com as vítimas e as famílias das mesmas. Enquanto empresas como a Netflix só pensarem nos bolsos ao usar histórias reais e dolorosas para proveito financeiro, a sua ética fica comprometida e torna-se desrespeitosa para as pessoas que saíram lesadas da situação. Note-se que isto não é uma recriação ficcional, mas sim um produto documental, onde a verdade é exposta nua e crua.

Apesar de os episódios iniciais serem um pouco mais longos do que realmente necessitavam de ser, a equipa de realização Jesse Vile e Ellena Woods consegue mantê-los cativantes e utiliza as emoções puras dos testemunhos para conseguir criar uma empatia forte com a temática. A decisão de reduzirem Peter William Sutcliffe a meras fotografias distorcidas, por um lado, revela uma certa compreensão para com as famílias e sobreviventes, mas por outro quebra notoriamente o efeito escandaloso para o público que precisava de ver o indivíduo em questão com uns olhos mais condenatórios. Tirando isso, The Ripper é um exercício documental interessante e que entretém e nos traz uma história repleta de tragédia e reflexão.

The Ripper Series Finale

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73%
Average Rating

The Ripper é uma minissérie muito competente, ainda que o seu título devesse ser mais respeitoso para as famílias das vítimas e das sobreviventes que são mencionadas e que, inclusive, participam ativamente para contarem as suas histórias.

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