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Crítica: Archenemy (2020)

Archenemy Crítica de Cinema

PODE CONTER SPOILERS DE ARCHENEMY!!!

Com a Marvel e a DC a ocuparem o pequeno e grande ecrãs com os seus afamados super-heróis, com histórias ora inovadoras, ora familiares, torna-se cada vez mais difícil outras mentes tentarem trazer algo diferente para a fórmula habitual. Dito isto, Archenemy tem algumas ideias interessantes, mas que simplesmente não encontram o seu lugar ideal.

Max Fist é um sem-abrigo com sinais de esquizofrenia que diz ser um herói de um universo paralelo. A sua história é recebida com escárnio e indiferença. Pelo menos até ao dia em que Max conhece Hamster, um adolescente com o sonho de partilhar as histórias do seu bairro.

Tal como tinha mencionado no parágrafo de introdução a esta crítica, Archenemy tem algumas ideias interessantes que são raramente vistas nas aventuras cinematográficas dos super-heróis. Uma das mais importantes é a que serve de motor para o filme: como é que um herói lida com os traumas? Se um ser equivalente a um deus depara-se numa situação onde se encontra sem poderes, como é que sobrevive? São questões importantes que são raramente abordadas, e ainda bem que Archenemy, apesar de tudo, as coloca no centro.

Infelizmente, estas ideias encontram-se aplicadas a um filme que deixa imenso a desejar. Tirando as sequências animadas (que lembram aqueles fever dreams), todo o filme começa a desiludir quando encontramos uma cidade praticamente deserta e populada apenas por um punhado de personagens com relativa importância. Isso já mostra que o filme, em termos de world building, tem as suas fraquezas, mas a própria ambiguidade deixa imensas questões por responder, e o facto de as obtermos no terceiro ato acabam por destruir todo o seu potencial. Existe sempre a dúvida sobre a veracidade dos relatos de Max, mas chega a um ponto que consegue ser enfurecedor.

Até mesmo as performances do filme deixam a desejar. No caso de Skylan Brooks e Zolee Griggs (que interpretam os irmãos Hamster e Indigo, respetivamente), pode-se sempre culpar a clara falta de experiência, já que nos entregam personagens que se mantêm iguais a si mesmas. Mas quando o elenco inclui nomes como Joe Manganiello, Amy Seimetz ou Glenn Howerton em performances aquém do esperado de atores já reconhecidos, conclui-se que Archenemy tem um problema sério.

Isto para dizer sucintamente: Archenemy tem ideias interessantes que os filmes de heróis raramente exploram. No entanto, estão incorporados num pacote que desilude mais do que conquista.

Podem ler outras Críticas aqui.

Título: Archenemy

Realização: Adam Egypt Mortimer

Elenco: Joe Manganiello, Amy Seimetz, Glenn Howerton, Skylan Brooks, Zolee Griggs

Duração: 90 minutos

Trailer | Archenemy

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