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Crítica: World War Z (2013)

World War Z Critica de Cinema

CONTÉM SPOILERS DE WORLD WAR Z!

Tal como mencionei em Constantine, há certos filmes que se tornaram objetos de culto pelos fãs devido à sua capacidade, não só de entreter, mas de trazer elementos novos a géneros saturados. World War Z é outro desses casos, onde temos obrigatoriamente que reconhecer as suas falhas, mas também o devemos apreciar pelas suas maiores virtudes. A vida parece idílica para Gerry Lane e a sua família, até que uma pandemia de um vírus que torna a população em zombies raivosos, devasta o planeta, forçando os sobreviventes a procurar desalmadamente por abrigo. Gerry, agente da ONU, parte em busca de uma potencial vacina para impedir que o vírus se continue a propagar.

World War Z Critica de Cinema

É quase irónico que World War Z faça tanto sentido rever nesta altura… ou se calhar não… e talvez o maior apreço que posso nutrir por o rever é mesmo por essa questão. A verdade é que o filme realizado por Marc Forster e protagonizado por Brad Pitt não deixa de ser um daqueles guilty pleasure que tem um ritmo extremamente intenso e que provoca grandes doses de adrenalina, ao passo que a sua história acaba por não ser propriamente nada de original ou criativo. O que aprecio mesmo em World War Z é precisamente este ritmo rápido e de constante mudança, como que uma guerra onde nunca sabemos quando estamos seguros. Esta instabilidade é, de facto, a sua maior arma. A câmara de Forster é hiperativa, saltitando constantemente de cenários e de personagens e aposta na velocidade com que o vírus se propaga, mais do que propriamente com as emoções humanas que estão subjacentes na sua componente dramática. Não há tempo para desenvolvimentos e, em World War Z, isso é completamente justificável. Há, claro, elementos que são feitos um pouco “às quatro pancadas” e perdem alguma credibilidade por serem ofuscados pela intensidade da ação.

Mas a forma como World War Z trabalha a sua ação é mesmo aquilo que é necessário num filme deste género. É tudo aquilo que The Walking Dead, por exemplo, devia ter… para provocar ainda mais impacto nos fãs. Mas comparações à parte, existe também um final que rompe um pouco com os clichés habituais onde as curas são logo descobertas da maneira mais simples e pouco coesa; e World War Z explica que não foi encontrada uma cura, mas apenas um “empatar” até se descobrir a solução que aniquila a ameaça. Mesmo que, de alguma forma, isto tenha surgido um pouco impulsivamente, não deixa de mudar um pouco o conceito, o que ajuda a que tenhamos uma visão diferente dos demais filmes do género. É ao trazer elementos novos que World War Z acaba por se destacar pela positiva, ainda que a sua narrativa tenha falhas que acabam por comprometer a sua qualidade em geral.

World War Z Critica de Cinema

Embora o ritmo do filme forneça uma boa camuflagem às falhas narrativas, World War Z acaba por estar sempre a saltitar de local para local sem uma justificação plausível, parecendo uma caça às bruxas que não faz muito sentido. No caso de uma eventualidade catastrófica como esta, há todo um trabalho de pesquisa para fundamentar aquilo que acaba por ser a causa do vírus e aquilo que o pode abrandar ou eliminar, e o filme acaba por optar por tentar ser heroico ao atribuir ao seu protagonista a capacidade de, no meio da algazarra, ainda conseguir desvendar o sucedido. É aquele elemento que quase parece saído de fantasia e que quase temos tendência a perdoar, mas é evidente demais que é algo que transcende a capacidade do plausível. Mas World War Z acaba por conquistar precisamente por trabalhar bem a sua ação e de nos fazer esquecer estes elementos a longo prazo, permitindo que o espectador tenha uma experiência singular de cinema.

É também um daqueles casos onde o subgénero saturadíssimo do zombie ganhe uma nova vida, permitindo que floresça um franchise que certamente irá preservar os mesmos valores de produção e proporcionar mais doses maravilhosas de uma palpitação cardíaca inigualável. É pelos atributos técnicos que World War Z se torna num filme muito competente, mas é impossível negarmos a sua ambição fantasiosa… no entanto, é one hell of a ride!

World War Z Critica de Cinema

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Título: WWZ: Guerra Mundial

Título Original: World War Z

Realização: Marc Forster

Elenco: Brad Pitt, Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, Ludi Boeken, Matthew Fox, Fana Mokoena, David Morse, Elyes Gabel, Peter Capaldi, Pierfrancesco Favino, Ruth Negga, Moritz Bleibtreu, Michiel Huisman.

Duração: 116 min.

Trailer | World War Z

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