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Crítica: Master and Commander: The Far Side of the World (2003)

Master and Commander

CONTÉM SPOILERS DE MASTER AND COMMANDER: THE FAR SIDE OF THE WORLD!

Como já mencionei na crítica de The Last Samurai, 2003 foi um ano incrível para o género épico e para os filmes de época, fantasiosos ou históricos. Vimos o final da trilogia mais aclamada do cinema de Peter Jackson, presenciámos a ascensão do pirata mais cobiçado da Disney, tivemos um vislumbre do último samurai e muitos outros. 2003 foi, de facto, um ano rico e importante para o cinema de grande escala, onde os efeitos visuais ganharam um papel importante em trazer estas histórias maravilhosas para os nossos ecrãs. Um dos que venceu dois Óscares da Academia e que tem mérito próprio é Master and Commander: The Far Side of the World, de Peter Weir.

Master and Commander

Master and Commander: The Far Side of the World acompanha o Capitão Jack Aubrey e a sua demanda para destruir um navio francês, durante as revoluções napoleónicas, o temível Acheron, que aterroriza as águas da América do Sul. E Aubrey não está sozinho, já que tem uma equipa de marujos e lobos do mar talentosa e que não irá descansar até derrotar o seu maior inimigo. Estamos perante um filme que é uma ode aos grandes clássicos náuticos de 70 e 80, onde a fantasia é substituída por vocabulário técnico preciso e os romances por um companheirismo notório dentro de um navio. É um filme que não tem medo de chocar o público ao colocar crianças como membros fulcrais na hierarquia náutica, e também é despreocupado em provocar-nos arrepios por as vermos em situações de vida ou morte. E este é apenas um dos aspetos mais curiosos desta adaptação de dois livros de Patrick O’Brian, que formam o título da película.

Master and Commander: The Far Side of the World é uma obra que não se deixa manipular pelos conceitos mais “pipoca” de Hollywood, sendo que não temos ação constante nem relações entre personagens extremamente melodramáticas. O filme trabalha com seriedade as ligações entre as mesmas, definindo com precisão as hierarquias e os postos de cada um, e articula um companheirismo suave e genuíno que, em vez de as tornar idílicas, faz com que sejam profissionais nas suas respetivas áreas e, mais valioso do que isso, sem nunca perder aquele caráter que as torna humanas. Os testes do oceano e de toda a sua influência nos comportamentos dos marinheiros são tratados como se fosse o centro principal da narrativa, puxando pelas personagens e nunca as descredibilizando. A verdade é que ao rever Master and Commander, entendo agora o seu maior potencial: trabalhar um filme em torno de uma vivência árdua, dum objetivo próprio e direto sem comprometer o seu lado mais humano. As consequências de viver em alto mar são espelhadas de uma maneira credível, explorando decisões impulsivas com estratégias marítimas apropriadas e palpáveis.

Master and Commander

Há toda uma simbiose de elementos que torna Master and Commander: The Far Side of the World num épico militar naval extraordinário. As prestações são também elas maravilhosas no seu geral, com um Russell Crowe muito carismático na liderança, e um Paul Bettany em ascensão. Embora nem todo o elenco secundário tenha a mesma dimensão nem o mesmo desenvolvimento, Master and Commander não dá tempo para descanso e aposta num companheirismo puro e singelo que contribui para que o público nunca perca a empatia com as personagens. Ainda que se prolongue demasiado nalgumas sequências desnecessariamente e falte um pouco mais de sangue nas cenas de ação, Master and Commander: The Far Side of the World nunca nos faz pensar que o seu tempo é desperdiçado com aspetos menos interessantes ou relevantes. É um épico singular e um filme que não segue o fluxo convencional de Hollywood e não se empanturra de clichés.

Se é para o gosto de todos? Certamente que não será. Mas é inquestionavelmente um filme muito diferente do habitual e que colmata 2003 como o último grande ano dos épicos. Batalhas navais, personagens interessantes e carismáticas, um elenco competente na sua representação, uma banda-sonora que acompanha os momentos de maneira empolgante, uma direção de fotografia esplendorosa e uma representação de guerra marítima com garra e credibilidade tornam-no num filme inesquecível e a ser recordado.

Master and Commander

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Título: Master and Commander: O Lado Longínquo do Mundo

Título Original: Master and Commander: The Far Side of the World

Realização: Peter Weir

Elenco: Russell Crowe, Paul Bettany, James D’Arcy, Edward Woodall, Chris Larkin, Max Pirkis, Jack Randall, Max Benitz, Lee Ingleby, Robert Pugh, Richard McCabe, Ian Mercer, David Threlfall, Billy Boyd, Joseph Morgan, Mark Lewis Jones.

Duração: 138 min.

Trailer | Master and Commander: The Far Side of the World

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